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Ensaio de Calibração
 
Autor: Rui Falcão
Data: 05 de Agosto de 2003
Tema: Técnico/Ensaio
 
Ensaio de Calibração III
Nesta terceira edição do ensaio de calibração, o porquinho da índia, o vinho escolhido foi o Catarina 2001. No total participaram 16 pessoas neste terceiro ensaio de calibração. A participação diminuiu ligeiramente neste terceiro ensaio, não sei se fruto das contingências própria dos meses de Verão, se por desta vez estar um vinho branco em dissecação... Os resultados são apresentados nas tabelas seguintes.



Figura 1 - NARIZ, média=14,89



Figura 2 - BOCA Estrutura, média=15,11



Figura 3 - BOCA Comprimento, média=14,67


Figura 4 - Tipificação da Cor




 ExcelenteMuito BoaBoaAceitável
Como caracteriza a imagem do rótulo?-11%44%44%-
Como caracteriza a relação qualidade/preço?-33%56%11%-

Tabela 1 - Imagem



 GarantidamenteProvavelmenteTalvezNão
Voltaria a comprar o vinho?44%22%33%-

Tabela 2 - Fidelidade



 SimTalvezNão
Pensa que o vinho beneficia com a comida?89%11%-
Tem qualidade para ser exportado?56%33%11%

Tabela 3 - Qualidades e Valores



Comentários

Mais uma vez, e como vem sendo tradição, a análise estatística coloca-nos perante resultados muito curiosos. Neste terceiro ensaio, há que destacar, logo de inicio, a fraca dispersão de resultados. As apreciações foram bastante homogéneas, diria mesmo, surpreendentemente homogéneas. A menor participação por si só não explica esta menor dispersão. Razões? Não sei, mas aceitam-se comentários.
Segundo facto a destacar, a classificação média do vinho, bastante alta. A estrutura de boca, faceta mais valorizada pelo painel de provadores, alcançou a espantosa média de 15,11! Ou seja, a média mais elevada de estrutura de boca, até à data, foi alcançada por um vinho branco! No mínimo, curioso.
Mas não só, também as médias de nariz e comprimento da boca, respectivamente 14,89 e 14,67 situaram-se acima da média, significando que este Catarina foi bastante apreciado pelos diversos intervenientes neste Ensaio de Calibração III. Um vinho muito consensual, este clássico da JP Vinhos. A maioria dos provadores (56%) classificou a cor como amarelo claro, um número significativo (33%) como amarelo palha e uma minoria (11%) como sendo praticamente branca.

A imagem de marca do vinho é um dos componentes sempre aguardado com expectativa e interesse. É uma das boas formas de retratar a imagem que o vinho tem junto do consumidor, algo difícil de avaliar. Assim percebe-se que a "roupagem" da garrafa, a sua "vestimenta", a imagem estética que transmite, não é o ponto forte deste Catarina. Ninguém a considera Excelente, e apenas 11% a consideram Muito Boa! Mas por outro lado, ninguém a considera intragável, a maioria considera-a Boa ou Aceitável, repartindo-se as opiniões de igual forma (44%) entre as duas opções. Uma imagem pouco valorizada, mas sem causar embaraços ou rejeições. Segunda valorização fundamental, a relação qualidade/preço. Aqui, o produtor já pode sorrir! A maioria (56%) considera-a Boa, e mais importante, 33% considera-a mesmo Muito Boa. Apenas 11% a considera Aceitável. Mais uma vez os extremos não foram contemplados com apreciações.

Tendo em conta as premissas anteriores é fácil compreender que quando confrontados com a questão "Voltaria a comprar o vinho?", a maioria dos participantes (44%) tenham respondido de forma entusiasta, Garantidamente. Uma resposta que não deixa lugar a dúvidas, sobre a justeza do preço, associada à qualidade. Por outro lado, um terço dos participantes respondeu com um cinzento Talvez, enquanto 22% disseram Provavelmente. Finalmente, as duas últimas questões sacramentais, o vinho beneficia com a comida e tem qualidade suficiente para ser exportado, tiveram respostas mais ou menos consensuais. A larguíssima maioria (89%) considera que este é um vinho "amigo" da comida, e 56% disseram que tem qualidade para ser vendido no exterior.




Mais uma vez foi dada liberdade aos participantes, que assim o entendessem, de acrescentar comentários ao vinho em análise. Desta vez a participação foi menor, embora pessoalmente pense que esta apreciação é bastante útil para complemetar a fria análise estatistíca dos ensaios. Eis a transcrição (devidamente identificada) dos comentários que recebemos:

Joaquim - Pareceu-me muito tecnológico mas bem feito. Limão, madeira e ananás. Boca cheia, boa acidez e final médio.

Pedro Brandão - "Cor dourada, aromaticamente rico, com notas perceptíveis de madeira, sobre algum floral e cítrico. Na boca tem boa acidez e algum corpo, ligeira baunilha, suave amanteigado, notas limonadas. Termina médio e seco."

Pedro Conde - Na minha opinião falta um pouco mais de acidez ao vinho.

Luís Fonseca - É gordo, aveludado e falta-lhe acidez. Mas em relação ao preço está bem.

Luís Paiva - Vinho para o dia-a-dia, óptima relação preço/qualidade e, nesta vertente, exemplo a seguir por outros produtores.

João Paulo - A relação qualidade/preço é muito favorável. Um pouco de madeira em excesso, mas está muito limpo e atraente.

José Augusto - Bom nariz, flores e limão. Boca encorpada, seca e saborosa. Um bom vinho para o dia a dia.

Dionísio - Bastante agradável, bons aromas, talvez um pouco seco...mas pessoalmente gosto. Boa relação qualidade-preço.


Pratos sugeridos para acompanhar este vinho foram vários e mais uma vez penso que é curioso e pedagógico sentir as diferentes sensibilidades dos participantes. Segue-se um enumerado das sugestões avançadas, aqui não identificadas. As propostas foram, "Polvo à lagareiro", "Talvez patés ou pratos frios (saladas de mar, por exemplo)", "Peixe grelhado", "Um belo prato de peixe grelhado ou no Sal", "amêijoas na cataplana", "caldeirada de peixe"!