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Gosto pessoal versus padrão de qualidade
 
Autor: Tiago Teles
Data: 15 de Outubro de 2002
Tema: Opinião
 
Gosto pessoal versus padrão de qualidade
Depois da prova cega realizada pelo painel dos 5 às 8, intitulada "Os vinhos do João", reflecti um pouco sobre a influência do gosto pessoal na avaliação de um vinho.
A razão é simples: um dos vinhos em prova, facilmente reconhecido pelo painel devido à sua acentuada tipicidade, foi literalmente penalizado por um provador. Outro vinho, manifestamente marcado por um estilo concentrado, foi enaltecido pelo mesmo provador. Em ambos, o provador demarcou-se da classificação média atribuída pelos restantes membros. No entanto, uma análise pragmática concluíria que ambos os vinhos são bons dentro da sua tipicidade.

No universo de opiniões sobre o mundo do vinho, afirmar "eu gosto" não é o mesmo que dizer "é bom". É natural pensarmos que temos sempre razão naquilo que gostamos. E, no caso de alguém contrapor que estamos errados nas nossas opiniões, sentimo-nos naturalmente lesados e terminamos o debate de opinião com a frase "gostos não se discutem". Mas, o gosto pessoal utilizado como único elemento na avaliação de um vinho, diz mais acerca de nós do que do próprio vinho. Não diz se o vinho é bom ou mau.

O gosto pessoal é diferente dos padrões de qualidade baseados em critérios normalizados. Ambos são importantes, mas há que distingui-los com clareza. Os valores pelos quais avaliamos o vinho são uma complexa mistura de gosto subjectivo e padrões defenidos.

Desta forma concluo que, por mais seguros que estejamos do nosso bom gosto, temos que reconhecer o nosso instinto natural para menosprezar os defeitos dos vinhos que adoramos ou que nos são familiares. Em oposição, tendemos a exagerar os defeitos nos vinhos de que, à partida, não gostamos. E, em situação de prova cega, pressionados pela exigência de sermos bons provadores, a aversão a um promenor apenas confirma o nosso preconceito. Afinal, somos apenas humanos.