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| Saberes e sabores |
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| Autor: Rui Falcão |
| Data: 14 de Agosto de 2002 |
| Tema: Opinião |
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| Saberes e sabores |
| A crescente globalização da economia implica que a fruta que comemos viaje de avião desde países como a Costa Rica ou da Nova Zelândia, o leite (homogeneizado) provenha de vacas que nunca durante a sua vida pastaram erva fresca. No que respeita ao mundo do vinho, ha muito que os inevitáveis Cabernet Sauvignon e Chardonnay emigraram das suas latitudes tradicionais para formar uma autentica mancha planetária. |
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| Os produtos viajam por todo o mundo á velocidade da informação e o vinho não podia ficar alheio a esta nova realidade. Os enólogos são simultaneamente cidadãos do mundo e de parte nenhuma, investidores que buscam com o mesmo afinco a harmonia de aromas e a harmonia de custos de produção. E o conceito de "terroir" vê-se acossado diariamente pela globalização de capitais, de técnicas de vinificação e de disseminação de castas. Uma espécie de democracia (ou ditadura?) universal do saber e do sabor, com as suas virtudes e defeitos, que felizmente praticamente varreu do mercado os vinhos defeituosos, mas que por outro lado encerra o perigo de uma total normalização, também global, de gostos e aromas. |
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| Nesta guerra mercado apenas restam duas armas para quem quiser subsistir: capital ou qualidade. Ou, a ter de eleger, as duas... Infelizmente não existem "jogadores" globais portugueses, sendo provavelmente a Sogrape o que mais se pode aproximar desta designação. Assim, antes que seja tarde, Portugal tem de labutar arduamente para conquistar e consolidar mercados externos, tem de explicar e sobretudo mostrar ao mundo aquilo que produz, a sua grande variedade de terroires, a singularidade invejável das nossas castas. |
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| Alguns produtores já alcançaram um excelente nível de elaboração, a tecnologia empregue esta ao melhor nível mundial e os nossos enólogos e técnicos melhoraram muito a sua qualificação. O vinho português triunfará na medida em que se consiga libertar da imagem de rudeza e rusticidade que durante séculos se lhe colou como autentica perversão. Quem sabe, talvez um dia nos apercebamos que temos uma enorme qualidade potencial que só tarda a ser aplicada. |
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