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| Syrah? Com certeza |
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| Autor: Tiago Teles |
| Data: 12 de Setembro de 2002 |
| Tema: Opinião |
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| Syrah? Com certeza |
Desde Junho que aparecem, com regularidade, notas de prova de diversos vinhos no site dos 5 às 8. Paralelamente têm sido apresentadas crónicas de prova cega que o grupo dos 5 às 8 realiza. Em jeito de resumo, até ao dia 09 de Setembro, tinham sido provados 60 vinhos portugueses, 13 estrangeiros e descritas 12 crónicas de prova cega.
Dos vinhos tintos provados, 4 são monocasta Syrah:
João Portugal Ramos Syrah Alentejo 1999; 17.5 (João Quintela)
Colecção Privada Syrah Setúbal 1999; 18.5 (Rui Falcão)
Esporão Syrah 2000 Alentejo; 16 (Tiago Teles)
Quinta do Monte d'Oiro Reserva Estremadura 1999; 18 (Tiago Teles)
Analisando todas as notas de prova do site 5 às 8 percebemos que os 2 vinhos maduro tinto com classificações mais altas são monocasta Syrah: Colecção Privada e Monte d'Oiro. Além disso, os 3 provadores atribuem a classificação mais alta das suas notas pessoais a vinhos monocasta Syrah (esta análise não é muito conclusiva porque faltam notas de prova de alguns dos grandes vinhos portugueses. No entanto, serve de amostra entre algumas notas de prova como a do Quinta do Vale Meão 99).
Recordo agora o comentário feito pelo nosso painel a um vinho de classe mundial australiano: "Grande vencedor da noite este Shiraz Stonewell do Peter Lehmann. Grande, poderoso, cheio, musculado, mas simultaneamente elegante, complexo e subtil. Impressionante é o mínimo que se pode dizer deste vinho, o topo de gama do Peter Lehamnn, feito de vinhas com mais de cem (100) anos e unanimemente considerado pela crítica internacional como um dos melhores vinhos australianos".
Sem dúvida que a identidade de cada país confere uma personalidade própria ao vinho.
Mas, acima de tudo, é a qualidade que marca a diferença.
Falando de identidade, não escondo a minha admiração por algumas castas portuguesas de grande qualidade como a Touriga Nacional. No entanto, do que me foi dado provar, não escondo, também, que existem variadas castas portuguesas que, na generalidade, nunca farão vinhos melhores do que bom.
Falando de qualidade, e digam o que disserem do excesso de tecnologia que os australianos possam utilizar, a verdade é que fazem vinhos de grande qualidade (por conseguinte, diferentes) recorrendo a castas reconhecidas como a Syrah e o Cabernet Sauvignon. Quando aplicada ao vinho, dá-me a impressão que os australianos se servem melhor da matemática e menos do coração, do que nós.
Na minha opinião modesta (não sou profissional nem técnico, apenas me guio pelo indicador de prova) estou convicto de que os próximos anos poderão ser de renovação e revolução nos vinhos portugueses. Talvez seja necessário trabalhar a vinha e escolher cuidadosamente as castas (promover um grupo de eleitas). Não tenho dúvidas da revolução que a Pinot Noir poderá fazer na Bairrada (Campolargo 2000 serve de exemplo), bem como a Syrah, um pouco por todo o pais (Colecção Privada e Monte d'Oiro servem de exemplo).
Syrah? Com certeza.
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