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Prova n.º 10 de Os 5 às 8 (Lisboa) 29 de Julho de 2002
Vinha Fojo199616,6
 Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga FrancesaMaria Doroteia Serôdio Borges
 13 % volDouro 
Condado de Haza199616,3
 Tempranillo (Tinta Roriz / Aragonês)Bodegas Condado de Haza 
 13 % volRibera del Duero (Espanha) 
Muga199616,1
 70% Tempranillo, 20% Garnacha, 10% Mazuelo e GracianoBodegas Muga 
 13 % volRioja (Espanha) 
Tapada Coelheiros199615,9
 Aragonês, Cabernet Sauvignon, Trincadeira e Castelão FrSociedade Agrícola Herdade dos Coelheiros 
 13 % volVinho Regional Alentejano 
Quinta da Pellada Touriga Nacional199615,6
 60% Touriga Nacional e 40% Alfrocheiro PretoÁlvaro Castro 
 13,5 % volDão 

Crónica
 

No dia 29 de Julho de 2002 a equipa de redacção de Os 5 às 8 reuniu-se novamente, desta vez no restaurante O Verde Gaio ((Campo de Ourique), para efectuar esta prova. Mais uma vez o Tiago Teles não pôde estar presente e portanto compareceram apenas quatro dos membros fixos do painel, a saber, Paula Costa, Rui Falcão, Pedro Gomes e João Quintela. Contámos também com a muito simpática presença da mulher do Rui Falcão, a Maria João como convidada deste evento. Tema desta prova, o ano de 1996. Desta vez a prova decorreu em moldes ligeiramente diferentes, já que os vinhos (na sua totalidade) foram escolhidos pelo Pedro Gomes, ou seja nenhum dos provadores sabia que vinhos estavam em prova (com excepção óbvia do Pedro Gomes). O procedimento utilizado foi o habitual, prova cega em que os participantes não sabiam quais os vinhos em prova nem a ordem pelo qual eram servidos.

Os vinhos seleccionados pelo Pedro Gomes revelaram-se bastante interessantes e de qualidade muito homogénea. Os vinhos escolhidos eram todos de 1996, mas provenientes de diferentes regiões, incluindo dois vinhos espanhóis. As votações reflectem a quase unanimidade de opinião dos membros deste painel, coisa rara de acontecer!

O vencedor desta prova foi o Vinha do Fojo, o primeiro vinho a ser comercializado por este produtor. Esta colheita de 1996 foi elaborada pelo David Baverstock, ainda que com a colaboração do Jorge Serôdio e do Dirk Niepoort. Tal como em provas anteriores o vinho mostrou-se muito atraente, apostando tudo na elegância e suavidade. Este é o tipo de vinho que pode passar desapercebido numa prova menos atenta, já que não apresenta as características de potência e rusticidade que ultimamente têm sido o apanágio dos novos vinhos do Douro. Aqui não é a fruta com sobrematuração e o álcool que imperam, mas sim a elegância. Fruta de muita qualidade, algum fumado, um conjunto de bom nível.

O Condado de Haza foi o vinho mais potente do lote, ainda muito jovem, viril e com uma longa vida pela frente. Este vinho sempre mostrou uma excelente relação qualidade/preço sendo portanto um vinho para comprar sem hesitar. Cor ainda muito escura, aromas a frutos pretos, muita especiaria do tipo canela e cravinho. Taninos firmes e acidez marcada que a fruta madura acaba por mascarar.

O Muga Crianza mostrou-se melhor na boca que no nariz. Cor já avançada, nariz com alguma notas minerais, fruta doce e alguma baunilha. Na boca mostrou ser um vinho um pouco desconcertante, dois dos provadores demoraram bastante tempo até "perceberem" o vinho o suficiente para lhe poder atribuir uma classificação. Alguma dureza e um pouco curto de boca.

O Tapada de Coelheiros foi a desilusão da noite, muito mais esperava o Pedro deste vinho (e nós, depois de sabermos que vinho era). Quando esta colheita foi comercializada fez um grande furor no mercado, tendo sido o primeiro Tapada de Coelheiros a merecer o título de vinho de culto e tendo mesmo atingido preços demasiado elevados. Pois a evolução não está a ser muito positiva, pelo menos a avaliar por esta garrafa. Mostrou ser um vinho bem feito, mas longe do fulgor da sua juventude e não parece ter sido muito beneficiado pela dose de juventude que o Cabernet Sauvignon lhe deveria ter proporcionado. Cor razoável, aromas com alguma evolução e com algumas notas de madeira ainda presentes. Taninos macios, sedoso, um vinho elegante mas a que parece faltar alguma coisa para poder aspirar a outro patamar.

Finalmente o Quinta da Pellada Touriga Nacional (não confundir com o 100% Touriga Nacional). Um nariz muito aromático, algumas notas de anis e algum floral (sem dúvida que o Alfrocheiro deu aqui uma boa ajuda). Na boca infelizmente o panorama não se mantém e mostra-se um pouco débil. A acidez demasiado pronunciada prejudica o vinho na boca.

Além dos vinhos que entraram em prova ainda foram provados as seguintes amostras de casco de vinhos da JP Vinhos que em breve irão ser comercializados: Má Partilha 2000 (nariz com acidez volátil, conjunto engraçado sem mais), Só Alfrocheiro 2001 (nariz um pouco preso e médio na boca) e Só Aragonês 2001 (nariz muito agradável mas algum álcool e interessante na boca).

Foram também provadas amostras de casco dos seguintes vinhos do porto 2000: Quinta Roriz (nariz com algum defeito, provavelmente do engarrafamento desta amostra de casco), Dow's (excelente), Niepoort (excelente), Burmester (Bom+), Vesúvio (Excelente) e Warre's (Muito Bom).

Finalmente foi provado e bebido o Osborne vintage de 1995. Excelente este vinho quando saiu, está agora na fase complicada (ao fim de 5/6 anos o vintage fecha completamente) em que se fechou completamente no seu casulo de onde irá imergir de aqui a uns 10 anos. Não é um vintage para guardar muitas décadas mas quem o comprou ao preço que saiu fez uma excelente compra. Não abra nenhuma garrafa nos próximos 8 anos...


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