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Prova n.º 11 de Os 5 às 8 (Lisboa) 22 de Agosto de 2002
Peter Lehmann Stonewell Shiraz199518
 SyrahPeter Lehmann
 13,5 % volAustrália (Barrossa) 
Quinta dos Roques Touriga Nacional199617,7
 Touriga NacionalQuinta dos Roques 
 13,5 % volDão 
Quinta de Monte d'Oiro199917
 97% Syrah e 3% ViognierJosé Bento dos Santos 
 14 % volVinho Regional Estremadura 
Quinta dos Roques Touriga Nacional199716,8
 Touriga NacionalQuinta dos Roques 
 12,5 % volDão 
Duas Quintas Reserva199716,7
 66% Touriga Nacional e 33% Tinta BarrocaRamos Pinto 
 13 % volDouro 

Crónica
 

No dia 22 de Agosto de 2002 a equipa de redacção de Os 5 às 8 reuniu-se na casa do muito ilustre Tiago Teles, valoroso membro deste painel. Desta vez compareceram todos os membros fixos do painel, a saber, Paula Costa, Rui Falcão, Pedro Gomes, João Quintela, Tiago Teles e como convidado o Hugo Pinto. Tema desta prova, a selecção do Tiago. Facilmente se percebe que desta vez a prova foi organizada em consonância com a anterior, já que os vinhos na totalidade foram escolhidos pelo Tiago Teles, ou seja nenhum dos provadores sabia que vinhos estavam em prova, nem sequer se eram brancos ou tintos. O procedimento utilizado foi prova totalmente cega.

Os vinhos seleccionados pelo Tiago Teles revelaram-se muito interessantes, de qualidade excelente e selecção muito homogénea. O critério utilizado foi o gosto pessoal do Tiago e na verdade fomos todos presenteados com uma inesquecível prova de grandes vinhos.

Grande vencedor da noite este Shiraz Stonewell do Peter Lehmann. Grande, poderoso, cheio, musculado, mas simultaneamente elegante, complexo, subtil. Impressionante é o mínimo que se pode dizer deste vinho, o topo de gama do Peter Lehamnn, feito de vinhas com mais de cem (100) anos e unanimemente considerado pela critica internacional como um dos melhores vinhos australianos. Esta colheita de 1995 foi particularmente boa e o resultado é este, um vinho com 7 anos que parecia o mais jovem do lote em prova. Enorme frescura na boca, notas de menta, enorme profundidade, um vinho que dá muito prazer a beber. Aromaticamente e um vinho um pouco "sui generis", começou por intrigar o painel, mas sem dúvida que em pouco tempo o painel rendeu-se completamente a este belíssimo vinho. Felizmente este vinho esta á venda em Portugal.

O segundo vinho confirmou-se (como se isso fosse necessário) como um dos grandes vinhos portugueses, o Quinta dos Roques Touriga Nacional de 1996. Este vinho é de uma notável consistência nas provas, tem vindo sempre a melhorar ao longo dos anos, tem-se sempre apresentado em grande forma (nunca tivemos nenhuma desilusão com este vinho) e ainda vai melhorar mais nos próximos anos. Muito jovem, grande frescura, aromas profundos, notas de pétalas de rosa e boca muito longa e complexa. Não há duvida que 1996 foi uma colheita abençoada para a Quinta dos Roques. Uma nota que o Pedro quis realçar em relação a este vinho foi que a pontuação deste vinho foi penalizada (17,7 ?) pela sua juventude, se o vinho fosse provado novamente dentro de 4 anos provavelmente a pontuação seria superior!

O Quinta do Monte d'Oiro desta vez não se mostrou tão em forma como noutras ocasiões. A boca estava de facto magnífica, mas o nariz desapontou um pouco e nenhum dos membros do painel reconheceu o vinho, apesar de todos já o terem provado várias vezes e sempre o terem reconhecido. A boca esteve muito bem, profunda e com final muito longo. Curioso o nariz, um pouco preso, sem as habituais notas a borracha queimada e alcatrão que costumam caracterizar este vinho e com notas interessantes a pétalas de rosa seca. Conjunto muito bom como se pode comprovar pela classificação final.

Muito pedagógico que o Tiago tenha também posto em prova o Quinta dos Roques Touriga Nacional de 1997, que embora muito agradável perdeu inapelavelmente para o seu irmão mais velho. A colheita de 1997 não conseguiu repetir o esplendor de 1996 e isso notou-se neste comparativo entre irmãos. Curiosamente quando a colheita de 1997 saiu para o mercado alguns membros do painel até preferiram o 1997 por estar menos marcado pela madeira, mas o excesso de madeira do 1996 esvaneceu-se e deu-lhe uma profundidade que o 1997 não tem. Mas que fique bem claro, o Touriga Nacional de 1997 é um excelente vinho que provado noutro contexto seria um vencedor provável. Mesmo assim o vinho apresentou-se melhor no nariz que na boca onde lhe faltava concentração para poder aspirar ao reduzido lote de vinhos excepcionais.

Finalmente o Duas Quintas Reserva de 1997 foi para quase todos a grande desilusão da noite. Nariz fechado, curto, muito herbáceo, a maioria dos provadores inclusive pensou que teria um pouco de Cabernet Sauvignon no lote. Boca também curta, a mais fraca deste painel. Este vinho tão cotado e tão caro está longe nesta colheita de merecer o preço a que é comercializado. Está além disso longe da qualidade que foi atingida nos anos de 1991 e 1992. Por mim passo, não faz parte do meu plano de compras.

O Tiago perdeu a cabeça e decidiu abrir ainda para o final da noite uma garrafa de Trilogia. Confesso que aqui fico sem palavras para poder descrever este vinho tão sublime que José Maria da Fonseca colocou no mercado. Feito de um lote de 3 vinhos, o Moscatel Superior de 1900, 1934 e 1965, este vinho pura e simplesmente não tem fim, perdura na boca infinitamente e é um verdadeiro elogio aos sentidos. Espantoso! Obrigado Tiago e obrigado natureza por nos proporcionarem tal prazer.

Foi também provada uma amostra de casco do vintage Dow's 2000, muito bom, um dos melhores vintages 2000 que provei. Já agora como nota aparte, será que os vintages de 2000 são assim tão bons e tão excepcionais que proporcionem esta histeria da imprensa internacional e nacional, ou existe aqui muito, muito marketing á mistura num ano tão redondinho e mágico como 2000 ?


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