Todos os vinhos provados Vinhos provados
 Todas as provas cegas Provas cegas
 Todos os Artigos Artigos
 Forum discussão Forum discussão
 Informações sobre o mundo do vinho Conhecer o vinho
 Todas as regiões de produção do vinho Regiões
 Todos os produtores Produtores
 Formulário para enviar Notas de Prova Enviar Notas
 Livros relacionados com vinho Livros
 Lojas de vinho Lojas
 Restaurantes Restaurantes
 Informação sobre o grupo de prova Quem somos
 Os nossos contactos Contactos
 Web sites interessantes ou úteis Links
        
 
Prova n.º 12 de Os 5 às 8 (Lisboa) 27 de Agosto de 2002
Quinta de Carvalhais Reserva199616,9
 Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro PretoSogrape
 12,5 % volDão 
Vallado199716,9
 Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinta AmarelaMaria Antónia Ferreira 
 14,5 % volDouro 
Quinta da Pellada Touriga Nacional199516,8
 60% Touriga Nacional e 40% AlfrocheiroÁlvaro de Castro 
 12 % volDão 
Quinta dos Roques Touriga Nacional199715,2
 Touriga NacionalQuinta dos Roques 
 12,5 % volDão 
Fojo199614,1
 VáriasMaria Serôdio Borges 
 13 % volDouro 

Crónica
 

No dia 27 de Agosto de 2002 a equipa de redacção de Os 5 às 8 reuniu-se na casa do Pedro Gomes. Compareceram todos os membros fixos do painel, a saber Paula Costa, Rui Falcão, Pedro Gomes, João Quintela, Tiago Teles e como convidado António Torres. Tema desta prova, a selecção do Pedro. Mais uma vez a prova foi organizada em consonância com a anterior já que os vinhos na sua totalidade foram escolhidos pelo Pedro Gomes. O procedimento utilizado foi prova totalmente cega.

Os vinhos seleccionados pelo Pedro Gomes revelaram-se mais menos consensuais que na prova anterior, embora os vinhos em prova fossem muito bem escolhidos. O critério utilizado pelo Pedro foi pôr em prova um vinho dirigido a cada membro do painel pelasmais variadas razões, ou por um dos membros nunca ter provado um vinho em particular ou por saber que esse vinho era particularmente apreciado por outro membro.

O João Quintela colocou um vinho em pré-prova, apresentado-o ao painel como vinho do porto antigo. Opinião geral consensual, muito bom vinho, com os membros do painel a dividir-se entre os 30 e os 70 anos d idade ao Porto. Quando finalmente a identidade do vinho foi revelada ninguém quiz acreditar, afinal era um Vinho da Madeira, um Blandy's Harvest 1995 (com preço de venda ao publico de aproximadamente 10 Euros, isso mesmo 10 Euros). É difícil de acreditar que este vinho só tem 7 anos de idade tal a complexidade apresentada (será que não tem nenhuma ajuda de um irmão mais velhinho ?), uma demolidora relação qualidade/preço. A comprar sem dúvida. Depois passámos à prova de um branco (prova cega). Um vinho austríaco, o Tement Sauvignon Blanc Grassnitzberg de 1999. Excelente vinho, no apogeu da suas vida, maravilhosamente complexo, muito mineral, muitas notas à casta, tudo num estilo muito velho mundo. Excelente!

Pela primeira vez houve um empate técnico, tanto o Quinta de Carvalhais Reserva 96 como o Vallado 97 tiveram exactamente a mesma pontuação. A forma de desempate escolhida, previamente acordada para estes improváveis casos, foi escolher o vinho que tinha melhor nota na boca em detrimento do nariz. E assim , apesar da classificação final ser exactamente a mesma nos dois vinhos, decidimos colocar o Quinta de Carvalhais Reserva 1996 em primeiro lugar, já que apresntou melhor boca. E que belo vinho, bom nariz, mas sobretudo com uma boca muito poderosa, elegante, fina e com um final de boca, muito longo. Muito boa também a cor, escura e opaca, mais parecia um vinho jovem. O Vallado 1997 é exactamente o oposto, um "monstro", um jovem endiabrado, um vinho todo ele em excessos mas que dá muito prazer beber. Provavelmente nunca na sua vida será elegante, mas que ainda tem muitos anos de vida cheio de força e pujança, isso é garantido. Um reparo tem de ser feito nestes dois vinhos, a relação qualidade/preço. O Vallado quando foi lançado no mercado custava 3,5 € enquanto que o Quinta de Carvalhais Reserva custava cerca de 27,5 € !!! Será que a diferença de preço tem justificação qualitativa ?

O Quinta da Pellada Touriga Nacional de 1995 teve uma produção muito pequena, cerca de 2000 garrafas. Este foi o primeiro grande vinho de Álvaro Castro, aquele que deu inicio à sua fama actual. Feito a partir de um lote de 60% Touriga Nacional e 40% Alfrocheiro, tem um rótulo que se pode considerar um pouco enganador, já que não possui a quantidade mínima de uma casta para poder ser considerado um varietal. Mas rótulos à parte, este é um grande vinho, muito jovem, curiosamente o vinho mais consensual do painel. Os felizardos que conseguiram comprar este vinho podem dar-se por satisfeitos, sobretudo tendo em conta que o seu potencial de envelhecimento é muito grande.

Para tirar teimas, o Pedro voltou a colocar o Quinta dos Roques Touriga Nacional 1997 em prova (ver cronica anterior). O vinho validou as notas da prova anterior, apresentou os mesmo defeitos e virtudes que lhe tínhamos encontrado na altura, melhor no nariz que na boca onde se perdia um pouco. No entanto é um vinho que pensamos que deverá repousar durante uns anos e depois aí sim, deverá voltar a ser provado. E as expectativas são grandes.

Finalmente o vinho mais complicado da noite, o Fojo 96. Muito polémico, suscitou paixões e desamores. As classificações de nariz e boca foram totalmente contraditórias, com o nariz a ser muito penalizado e a boca a ser bastante valorizada. Realmente este vinho é desconcertante, apresenta uma aroma muito deslavado, com algumas notas desagradáveis e depois tem uma boca muito poderosa, cheia, mas também elegante, um vinho estranho. E este painel já provou este vinho em varias ocasiões e a variação de garrafa para garrafa é enorme, já tivemos enormes desilusões e também já tivemos enormes alegrias. E o consumidor, onde é que fica? Sobretudo num vinho tão caro como este.

Para acabar a noite tivemos também o raro privilégio de provar dois Vinhos do Porto surpreendentes. Primeiro um Vintage Gould Campbell de 1977 que o António Torres levou. Que espanto de juventude neste vinho de uma segunda ou terceira marca. Ainda completamente opaco, com aromas de fruta madura, pouca evolução, está num momento fantástico para ser consumido. Tão jovem se apresentava que ninguém conseguiu acertar na década, todos estiveram entre 80 e 90! O outro Porto ainda foi mais provocador. O Rui Falcão levou um Porto Tawny 50 anos australiano da Yalumba. Este vinho faz parte de um engarrafamento muito limitado (2000 garrafas de 375ml), apresentado numa garrafa muito bonita e elegante. E o que estava dentro da garrafa também era muito bonito e elegante. O nariz era fabuloso, fresco, profundo, complexo, algo de muito bom. A boca não conseguiu corresponder à promessa do nariz, mas mesmo assim provou ser um excelente vinho. O que falta aos australianos para este tipo de vinhos são os lotes mais antigos de vinho que pura e simplesmente não existem. Quem sabe se daqui a uns anos quando tiverem reservas de vinhos mais antigos eles não nos irão surpreender também neste capitulo? Só como curiosidade este Tawny foi elaborado com as castas Syrah e Grenache, mas nos últimos anos os australianos têm estado a plantar muita Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão... O terroir eles nunca o terão, mas e o resto?


Copyright © 2002 Os 5 às 8