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Prova de vinhos do produtor Dão Sul

Crónica
 

No dia 21 de Setembro de 2002, numa apresentação pública na loja Coisas do Arco do Vinho, foram provados seis vinhos do produtor Dão Sul, 2 brancos e 4 tintos. O procedimento utilizado foi prova com conhecimento dos vinhos a ser provados. São apresentadas adiante as pontuações recolhidas por Rui Falcão, bem como comentários muito sumários sobre cada vinho. Como notas gerais desta prova salienta-se a "pouco entusiasmante" qualidade média dos vinhos em prova. Confesso que nenhum dos vinhos em prova me convenceu, e como nota aparte, posso acrescentar que os vinhos tintos provados apresentaram-se todos muito parecidos entre si, sem diferenças marcadas. No entanto o leque de preços varia entre os 3,5 € e os 30 €! Dá que pensar...
Desta prova ficou-me uma ideia fundamental, a aposta da Dão Sul no Douro está a correr bem melhor que a aposta no Dão. Senão veja-se o caso dos vinhos Quinta do Brasileiro e Quinta de Sá de Baixo onde aí sim, a relação qualidade/preço, bem como a qualidade intrínseca é muito boa. Já agora não queria aqui deixar de referir dois aspectos positivos desta prova; Primeiro as garrafas são de muito boa qualidade, estão muito bem vestidas com uma óptima imagem de marca, e com excelente grafismo de rótulo, sobretudo as de Quinta de Cabriz. O outro aspecto muito positivo é o grande entusiasmo dos administradores da Dão Sul, nomeadamente do Eng. Carlos Lucas, verdadeiramente determinado em criar um grande portfólio de vinhos de qualidade a preços razoáveis, bem como apostado em conquistar um espaço alargado no mercado de exportação. Oxalá assim o consiga.

As notas reflectem a opinião de Rui Falcão:

Quinta do Covão Verdelho 2001 - A Quinta do Covão é uma das muitas quintas geridas e administradas pela Dão Sul. É também uma das poucas onde está plantada a casta Verdelho e em 2001 decidiram vinificar este vinho em separado, dando assim lugar a um dos poucos 100% Verdelho em Portugal. Cor clara, nariz aromático onde se destaca a maçã verde e a tangerina. Acidez muito marcada, fim de boca médio e extremamente seco. - 13

Quinta de Cabriz Reserva 2000 - Este branco reserva, o primeiro reserva de Cabriz, é feito de um lote de Encruzado, Malvasia Fina, Cerceal e Bical. O objectivo era criar um branco para quem não gosta de brancos, ou seja um branco encorpado e cheio. Passou 14 meses em madeira e isso sem dúvida nota-se no nariz, a tal ponto que a madeira tapa todos os outros aromas que o vinho possa ter. Boca muito plana, acidez correcta, fim de boca mais interessante. De facto deve ter sido feito para quem não gosta de brancos... - 12

Quinta de Cabriz Colheita Seleccionada 2000 - Muito bonita a garrafa. Cor muito aberta, quase parece um rosé. Aroma muito leve, com ligeiras notas de morango. Muito magro na boca, sinceramente não faz a minha felicidade. - 13

Quinta do Covão Tinto Cão 2000 - Como é do conhecimento público a casta Tinto Cão é uma das castas preferidas do Prof. Virgílio Loureiro, como aliás já o tinha demonstrado na Quinta dos Roques. Este Tinto Cão apresenta cor profunda, aromas de confeitaria, algum pão de ló e também um cheiro a hospital, algum remédio e um muito ligeiro bafio. A prova de boca é melhor, os taninos são muito poderosos, o comprimento é médio. Talvez um dos melhores dos vinhos em prova e com potencialidades no futuro. - 14

Quinta de Cabriz Superior 2000 - Predominância de Touriga Nacional com o contributo de Alfrocheiro Preto e de Tinta Roriz. Novamente cor muito aberta. Novamente também notas de hospital, algum fumado e tostado. Estranhamente senti aromas de enchidos, do tipo chouriço! Acidez muito forte, muito adstringente, ligeiro formigueiro na boca. - 13

Escolha Virgílio Loureiro 2000 - Mais uma vez cor ligeira. Pimenta em grão, notas mentoladas. Boca ligeira, taninos presentes mas bem integrados, algum álcool. Fim de boca médio. A relação qualidade/preço é desapontadora neste vinho... - 14,5


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