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Prova de vinhos do produtor Lavradores da Feitoria

Crónica
 

No dia 12 de Outubro de 2002, numa apresentação pública na loja Corpo e Alma, foram provados oito vinhos do produtor Lavradores da Feitoria, todos tintos. O procedimento utilizado foi prova com conhecimento dos vinhos a ser provados. São apresentadas adiante as pontuações recolhidas por Rui Falcão, bem como comentários quase telegráficos sobre cada vinho. Como nota geral desta prova salienta-se a diferença vincada de qualidade entre os chamados vinhos de lote e os vinhos de quinta. Confesso que nenhum dos vinhos de lote (estranha designação esta já que dois dos vinhos de lote apresentados eram monocasta!!!) em prova me convenceu. Já os vinhos de quinta mostraram uma qualidade média bastante superior, revelando-se bem mais interessantes e complexos.
Este produtor, ou melhor, esta associação de produtores apostou numa imagem moderna e elegante para os seus vinhos. Parece-me que a rotulagem foi bem pensada e resulta muito bem esteticamente. No entanto confesso que me faz alguma confusão ( e imagino que ao consumidor médio) a forma como os vinhos são diferenciados, apenas por um número. De facto os rótulos são sempre iguais, independentemente do nome da quinta com que são comercializados, diferenciando-se apenas por um número. Será que o consumidor médio consegue perceber a diferença? Sobretudo num produtor com dezenas de referências e num mercado onde todos os dias aparecem novos produtores? Sinceramente, não acredito!

As notas reflectem a opinião de Rui Falcão:

Três Bagos Tinta Roriz 2000 - Notas vegetais marcadas, ligeiro metálico. Estrutura muito magra, com poderosa carga de taninos. Com esta estrutura tão ligeira os taninos sobressaem em demasia, daí resultando um vinho desequilibrado. Final de boca médio. - 13,5

Três Bagos Touriga Nacional 2000 - Cor muito aberta, aromas químicos, nariz algo fechado. Boca ligeira mas cheia, final médio. - 13

Três Bagos Reserva 2000 - Mais uma vez cor muito ligeira. Repetem-se aqui os aromas vegetais, apesar de também aparecerem aromas animais em conjugação. Um pouco "verde" na boca. - 13,5

Três Bagos 1999 - Conjunto muito simples, mas nariz não totalmente limpo. Penso que seria problema desta garrafa porque já provei este mesmo vinho em anteriores ocasiões e não me recordo de ter encontrado algum defeito. Leve e ligeiro, novamente muito vegetal e um pouco verde. Sem história. - 12,5

Quinta da Meruge 1999 - Feito integralmente de Tinta Roriz, este é aquilo que se chama um "vinho de cheiro", aromático, muito feminino. Taninos macios, leve e equilibrado. Não é nenhuma obra prima mas é um vinho honesto, equilibrado e agradável de beber. - 15

Quinta da Estrada 1999 - Aromas agradáveis, floral, com fruta suficiente, acidez equilibrada, taninos correctos, final médio, é um vinho agradável e bem feito. - 15,5

Quinta da Trepadeira 1999 - Cor mais concentrada, o primeiro dos vinhos apresentados com cor mais carregada. Fruta do tipo cereja, alguma framboesa e mesmo notas de rebuçado. Boca muito equilibrada, taninos firmes, acidez bem integrada, final de boca médio/longo. Precisa de tempo no copo para abrir. - 16

Quinta do Couquinho 1999 - Interessante a cor, aroma austero, precisa de bastante tempo no copo para se revelar. Austero, redondo, um bom vinho em perspectiva. Menos elegante que o vinho anterior, mas mais encorpado e cheio. - 16


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