No dia 17 de Outubro a equipa de redacção dos 5 às 8 reuniu-se, uma vez mais, no restaurante Verde Gaio. Compareceram todos os membros fixos do painel, a saber, Paula Costa, Rui Falcão, Pedro Gomes, João Quintela e Tiago Teles, bem como um convidado, José Oliveira Azevedo. Realizou-se uma quebra no ciclo de provas organizados por membros individuais do painel para escolher um outro critério fixo, neste caso vinhos de 1997. Como de costume cada participante levou uma garrafa, sendo a prova cega, já que não se sabia a ordem pela qual os vinhos foram servidos.
A prova foi bastante renhida, tendo-se assistido à criação de dois pares distintos e quase empatados. O vencedor da noite, embora quase ex-equo foi o Quinta da Leda. Mais uma vez o João decidiu levar este vinho para entrar em confronto e como de costume portou-se muito bem. Aliás a consistência de qualidade deste projecto da Sogrape é verdadeiramente espantoso, daqui resultando vinhos que raramente ou nunca defraudam a expectativa do consumidor. Revelou ser um vinho harmonioso no aroma, com boa concentração e uma boca que demonstrou força, com carga de taninos. Aliás foi este ligeiro desequilíbrio na carga de taninos que acabou por penalizar o vinho.
Em segundo lugar aparece-nos o Cortes de Cima Reserva, um vinho ligeiramente polémico, havendo que gostasse francamente e quem não ficasse entusiasmado. Revelou ter boa cor, nariz muito especiado (mas um pouco alcoólico) e boca poderosa e prolongada. O Rui Falcão desde a primeira prova detectou-lhe imediatamente correcção ácida e uma certa artificialidade, acabando por o penalizar face ao resto do painel.
Os vinhos classificados em terceiro e quarto lugar foram respectivamente o Marquês de Borba Reserva, e o Quinta de la Rosa Reserva. Interessante confronto, acabando separados por meia décima de ponto. E não deixa de ser curioso que ambos desiludiram, e bastante, o painel. Qualquer um dos vinhos tinha deixado excelentes recordações na memória de alguns membros deste painel, memória essa que acabou por sair defraudada. Problema de garrafa, fase complicada ou pura e simplesmente início da fase descendente destes vinhos?
Em quinto lugar, ficou o Koonunga Hill uma autêntica provocação. A polémica não largou, nem por um segundo, este vinho. Situado num patamar de preço incrivelmente inferior aos restantes vinhos, acabou por se portar muitíssimo bem (este vinho é para a Penfolds assim como o Esteva é para a Sogrape). Houve quem gostasse bastante e quem não lhe encontrasse grandes virtudes. Mas que ninguém lhe ficou indiferente, isso é um facto!
Para terminar, e como não poderia deixar de ser, o jantar foi completado com um Porto um vinho fino antigo, um Tawny sem identificação de produtor, muito interessante, cor esverdeada, excelente nariz, mas um pouco curto na boca.
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