No dia 25 de Outubro de 2002, num jantar de vinhos organizado pela loja Coisas do Arco do Vinho foram dados a provar diferentes vinhos distribuídos pela Sovencom, mais concretamente um branco, quatro tintos e um Porto vintage. O procedimento utilizado foi prova com conhecimento dos vinhos a ser provados. São apresentadas adiante as classificações recolhidas por Rui Falcão, bem como comentários muito sintéticos sobre cada um dos vinhos provados.
De salientar que os vinhos foram servidos na totalidade (enfim, com a excepção do branco) a temperaturas pouco consentâneas a uma apreciação correcta e objectiva dos vinhos. De todos o que saiu mais prejudicado foi o Porto vintage que provado a uma temperatura provável de 27/28ºC revelou, como não podia deixar de ser, excesso de álcool no aroma. Parece-me que este deverá ser um aspecto a rever, no futuro, neste tipo de eventos.
Há pois que ter cuidado na análise destas notas de prova, que não são de modo algum finais. Ainda existem muito espaço de evolução em todos (sem excepção) os vinhos provados.
As notas reflectem a opinião de Rui Falcão:
Quinta de Pancas Chardonnay 2001 - Aroma ainda marcado pela presença da madeira, fortes sugestões de tostado. Boca interessante, mas mais uma vez marcada pela madeira. Final relativamente curto. Interessante, mas não deslumbrante. - 13,5
Meandro 2000 - Devo começar por referir que este vinho foi provado em copos nada favoráveis à prova de vinho e por isso as notas valem o que valem... Cor com pouca profundidade. Aroma marcado por muitas notas de tostado, mesmo algumas notas de borracha queimada. Acidez vincada, taninos poderosos, álcool ligeiramente a descoberto. Fim de boca médio. Demasiado jovem para ser bebido agora, poderá evoluir bem no futuro. - 14
Quinta da Lagoalva Syrah 2000 - Cor com uma evolução surpreendente para um 2000. Aromáticamente tanto o álcool como a madeira mostram-se em excesso (mas recordo que as temperaturas de serviço eram demasiado elevadas e isso tem de ser levado em conta). Notas aromáticas de caça, pimenta e mesmo algum couro. Boca poderosa, potente, acidez impressionante e final de boca muito seco. Taninos bem integrados. - 15,5
Quinta de Pancas Premium 2000 - Linda cor. Aromaticamente muito conseguido, com bastantes notas a violetas, cerejas, chocolate, ligeiramente floral, tudo muito redondo e harmonioso. Algumas notas de ameixa passa! Concentrado na prova de boca, encorpado, taninos ajustados. Curioso que nesta edição de 2000 a composição de castas sofreu profundas alterações, sendo agora a proporção de aproximadamente 60% Touriga Nacional e 40% Syrah. Esta combinação de castas parece-me muito prometedora para a enologia nacional. Mais um vinho que sai prejudicado por saír demasiado cedo para o mercado. - 16,5
Vallado Reserva 2000 - Cor profunda e densa, quase impenetrável. Violento no nariz, muito alcoólico (atenção à temperatura), muito directo. Curiosas e agradáveis notas terrosas. Boca muito poderosa, taninos fortes, infelizmente neste momento revela um desequilíbrio alcoólico acentuado. Muito, muito verde, este é um vinho que ainda precisa de afinar em garrafa. Espero que não seja já lançado no mercado... O vinho esconde boas promessas de futuro, mas neste momento ainda são promessas, não realidades. - 15,5
Quinta do Vale Meão Vintage 2000 - Cor preto/purpura, completamente opaco. Álcool muito marcado, aromas de farmácia, ligeiramente herbáceo, fruta vermelha um pouco escondida lá pelas traseiras mas presente. Ligeiramente terroso. Ligeiro tostado? Estrutura mediana com final médio/longo, mas com fim de boca súbito. O álcool ainda está mal casado, tornando o fim algo menos agradável. Não é um corredor de fundo, deve ser um vintage de meia-guarda. - 15,5
Copyright © 2002 Os 5 às 8 |