Lá nos encontrámos de novo, os 5 do costume, Paula Costa, Rui Falcão, Pedro Gomes, João Quintela e Tiago Teles. Como também é hábito o encontro foi marcado para as 20 horas no restaurante Verde Gaio. Desta vez a prova incidiu sobre a colheita de 1999, não se tendo especificado regiões ou países. Não houve surpresas estrangeiras e os vinhos apresentados a prova foram todos nacionais. Curiosamente apareceram três vinhos do Dão, um da Estremadura e um do Alentejo.
Surpresas? Sim, algumas, nomeadamente a péssima performance do Borges Tinta Roriz 1999! Defeito de garrafa, más condições de guarda ou simplesmente má evolução do vinho? Sinceramente não sabemos, mas teremos de tirar a limpo se este foi apenas um acidente de percurso ou se algo está a correr mal com o vinho.
Mas vamos à classificação e apreciação dos vinhos em prova, ordenados por ordem descendente de classificação final. Destacado neste lote de vinhos surgiu o Tapada de Coelheiros, um vinho realmente diferente e de muito boa qualidade. Nitidamente num patamar de qualidade superior. Cor muito carregada, aroma ainda um pouco marcado pela madeira, mas já com muita fruta preta perceptível, boca poderosa, cheia, um vinho de muita categoria. É quase pedofilia beber este vinho agora já que ainda está bastante contido, mas promete vir a ser um grande vinho. Foi unanimemente considerado o melhor vinho da noite. O Quinta da Cortezia Reserva mostrou ser um vinho ligeiramente menos consensual, tendo um membro do painel penalizado o vinho na prova de boca. Demonstrou no entanto ser um vinho muito homogéneo e bem integrado. Apenas um dos provadores lhe encontrou uma boca demasiado discreta, mas os restantes membros do painel valorizaram este vinho da Estremadura.
O Quinta da Pellada Jaen/Tinta Roriz foi provavelmente o vinho mais consensual da noite, tanto que as pontuações dadas pelos provadores foram praticamente iguais à décima! Foi facilmente identificado como sendo um vinho de Álvaro de Castro, tanto o aroma como a prova de boca dos seus são quase inconfundíveis. O Quinta dos Roques Tinto Cão confirmou que a colheita de 1999 foi madrasta para a Quinta dos Roques. A cor deste Tinto Cão mostrou-se extremamente diluída, sobretudo tendo em conta que se trata de um vinho de 1999. Aromaticamente mostrou-se pouco expressivo e na prova de boca não disfarçou a sua acidez firme bem como os seus taninos suaves que nos remeteram imediatamente para o Dão. Interessante mas com falta de personalidade.
Finalmente o desastre, o Borges Dão 1999! Deslavado, deficiente de aromas, um vinho com uma evolução de prova muito estranha, variando entre o ligeiramente oxidado, o estilo porto e a oxidação novamente! Muito estranho e pouco conclusivo, precise de ter uma segunda oportunidade.
Para finalizar e como habitualmente provámos um Porto, uma curiosidade muito engraçada com que o Pedro nos presenteou, um Real Companhia Velha Desintervenção de 1978. A cor era assustadora, castanho claro tipo tawny muito, muito velho. Todos assumimos que o vinho já se tinha passado quando o vimos decantado! Mas não, o vinho mostrou a sua graça, um vinho original, exótico muito diferente dos vintages "normais" mas um vintage interessante, mais pelo seu exotismo que pela qualidade. Bebeu-se com prazer e passaria mais facilmente por um colheita que por vintage numa prova cega.
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