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| Prova n.º 20 de Os 5 às 8 (Lisboa) 03 de Janeiro de 2003 |
| 1º | Barca Velha | 1985 | 15 |
| | Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Nacional e Touriga Francesa | Ferreirinha (Sogrape) | |
| | 12 % vol | Douro | |
| 2º | Caves Valdarcos Garrafeira Sidónio Sousa | 1985 | 14,3 |
| | Baga | Caves Valdarcos | |
| | 12,9 % vol | Bairrada | |
| 3º | Dom Pipas (Magnum) | 1985 | 13,2 |
| | Castas misturadas | Vinícola do Dão | |
| | 12,5 % vol | Dão | |
| 4º | Dom Pipas (Magnum) | 1985 | 13 |
| | Castas misturadas | Vinícola do Dão | |
| | 12,5 % vol | Dão | |
| 5º | Porta de Cavaleiros Reserva | 1985 | 12,5 |
| | Castas misturadas | Caves São João | |
| | 12,5 % vol | Dão | |
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| Crónica |
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3 de Janeiro de 2003. Estava prometida uma noite revivalista. O ambiente dos anos 80 foi facilmente "encenado" pelo mentor da prova, o sempre apaixonado Pedro Gomes. A razão era simples: tinham sido encontradas, para os lados da Portela, em Lisboa, algumas garrafas de vinho. Supunha-se que esse vinho pertencia à década de 80. Mas, subsistia a dúvida porque se suspeitava que poderiam pertencer ao período jurássico, de 1980 milhões de anos AC.
Foi feita a convocatória para provar esses néctares misteriosos, que juntou a equipa de redacção dos 5as8, na "caverna" Verde Gaio. Felizmente os membros não foram obrigados a deixar crescer as patilhas ou a vestir tanga! Juntou-se à festa anos 80, o convidado Jorge Sousa que reservou, para o final da refeição, duas viagens ao passado, na sua fabulosa máquina do tempo, estilo Boris Vian em "Erva Vermelha".
A tarefa de decantar os vinhos estava logicamente a cargo de Pedro Gomes, o único conhecedor dos vinhos em prova. A única indicação para a prova cega era a década dos vinhos: anos 80 ou período jurássico!? A dúvida subsistia já que os restantes participantes desconheciam o conteúdo. Eram esperados alguns desafios, que se vieram a comprovar. O primeiro foi o de colocar uma garrafa magnum em dois decanters diferentes, dando a crer dois vinhos (o painel ultrapassou exemplarmente este desafio). O segundo seria o da barca que já é velha, mas não tanto!.
Para aperitivo bebeu-se um vinho branco dotado de uma cor límpida e brilhante. A acidez marcada e a concentração algo diluída contribuíram para um final de boca metálico, a lembrar constituintes jurássicos. No final do jantar soubemos que tínhamos bebido um Porta dos Cavaleiros branco. Julga-se ser uma fêmea que vivia em zonas costeiras. Mas a dúvida subsistiu, ano 1985 ou 1985 milhões AC! Sem sabermos, estava dado o mote da noite: uma prova mista com tintos de 1985 e outros do período jurássico. Os vinhos apareceram sequenciados da seguinte forma: Dão Pipas 1985 garrafa magnum (ou Dão Pipotauros); Porta dos Cavaleiros 1985 (ou Porta dos Cavaleirosrex); novamente Dão Pipas 1985 garrafa magnum; Barca Velha 1985; e Valdarcos Garrafeira 1985 (ou Valdarcostauros Garrafex). Como podem ver, o ambiente era jurássico português, recheado de ilustres nomes do vinho. Com excepção do Barca Velha, todos os outros vinhos eram ferozes predadores que se alimentavam, principalmente, de grandes quantidades de taninos.
O vencedor destacado, e talvez, o único vinho agradável na prova, foi o mítico Barca Velha de 1985. O nariz deste vinho começou por ser doce, com aromas a marmelo, evoluindo depois para um nariz vinoso. Na boca o equilíbrio era notório, tornando a sua prova agradável. Foi o único vinho a não sofrer pesadamente com o tanino português. Mas não passou de um bom vinho. Os outros? Foram uma desilusão para o painel que os incluiu no nível de vinhos de qualidade média.
No auge da festa anos 80, resolvemos entrar na máquina do tempo, trazida por Jorge Sousa. Viajámos ao ano de 2000 para beber um vintage demasiado alcoólico: Poças Vintage 2000. Depois, visitámos um vintage delicioso chamado Bom Retiro 1924. A história desta garrafa orfã, trazida por Jorge Sousa, é bastante interessante. O produtor é Adriano Ramos Pinto que, ao que parece, fez um single quinta Bom Retiro. A garrafa foi oferecida à sua avó por volta do ano de 1960. Depois teve uma vida atribulada que incluiu uma viagem de barco e outra de avião. Resistiu a uma tempestade de chuva e a um verão quente. Mas acreditem que se mostrou plena de força. Uma verdadeira delícia.
NOTA: O estilo metafórico hiperbólico deste artigo não pretende ofender ninguém. Pretende apenas tornar mais leve a sua leitura.
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