 |
|
|
|
| |
| Prova n.º 22 de Os 5 às 8 (Lisboa) 21 de Janeiro de 2003 |
| 1º | Stonewell Shiraz | 1995 | 17,1 |
| | 100% Syrah | Peter Lehmann | |
| | 13,5 % vol | Barossa (Austrália) | |
| 2º | Pera Manca | 1995 | 16,9 |
| | Trincadeira e Aragonês | Fundação Eugénio de Almeida | |
| | 14,5 % vol | Alentejo (Évora) | |
| 3º | Barca Velha | 1995 | 15,6 |
| | Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Barroca e Tinta Amarela | A.A. Ferreira | |
| | 12,5 % vol | Douro | |
| 4º | Quinta das Bágeiras Garrafeira 1º Prémio | 1995 | 14,6 |
| | 100% Baga | Mário Sérgio Alves Nuno | |
| | 14 % vol | Bairrada | |
| 5º | Barón de Chirel Reserva | 1995 | 11,2 |
| | Tempranillo | Herederos Marques de Riscal | |
| | 13 % vol | Rioja (Espanha) | |
|
|
| Crónica |
|
| |
Lá estivemos nós de novo, os cinco da praxe, a Paula Costa, Rui Falcão, Pedro Gomes, João Quintela e o Tiago Teles. Mantivemos o ciclo de provas organizadas por um dos membros do painel. Desta vez calhou a vez ao João Quintela. E que prova que ele organizou, vários pesos-pesados da enologia nacional com a contributo e a rivalidade de outros dois pesos-pesados de Espanha e da Austrália. E sobretudo foi uma prova muito didáctica, extremamente educativa. Com todo o bom receber que lhe é apanágio, a prova foi efectuada em casa do João, com todos os detalhes estudados e bem interpretados. Irrepreensível a forma como fomos todos tratados. E não se pense que foi só nos vinhos, também a parte gastronómica se mostrou à altura do acontecimento.
Ora então o João decidiu apostar no ano de 1995! Como de costume cinco vinhos e no final da refeição um Porto, e que Porto!. Mas já lá vamos, primeiro vejamos o que é que o João nos tinha reservado. Em primeiro lugar incontestado voltou a aparecer um vinho que já tinha estado em prova cega num jantar organizado pelo Tiago, o Peter Lehmann Stonewell Shiraz 1995. E se da outra vez "ganhou", desta vez voltou a brilhar e a "ganhar". Que vinho extraordinário! Complexo, cheio, jovem, ligeiramente rústico mas cheio de personalidade. Um vinhão! Curiosamente quase todos os membros do painel o identificaram como sendo um Syrah. No fim da prova o João (único a saber quais os vinhos em prova e quais os anos) divertiu-se a perguntar aos demais membros do painel, qual o vinho mais jovem e qual o mais velho. Curiosamente a opinião foi unânime, todos apontaram o Stonewell como vinho mais jovem em prova. Interessante, não é?
Excelente desempenho para o segundo lugar obtido por um vinho alentejano, o Pera Manca. Que classe, que elegância e que harmonia. Um vinho que se pode considerar um muito digno representante do melhor que se faz em Portugal. Os aromas apesar de algo vegetais, revelaram um floral com presença de frutos secos e algum tomate seco muito interessantes. Excelente conjunto, muito homogéneo. Já o mesmo não se pode dizer da medalha de bronze, o Barca Velha 1995. O vinho mais estranho da noite, considerado por todos como extremamente difícil de classificar ou de descrever. Houve quem lhe encontrasse notas de combustível (gasóleo ou petróleo), quem lhe encontrasse notas de estábulo e adubo, quem lhe encontrasse couro, mesmo algum mofo e muito fumo. Um vinho muito difícil de analisar, um dos provadores disse mesmo que era um dos vinhos mais complicados de pontuar que alguma vez lhe tinha passado pela mão (boca). Houve também quem lhe encontrasse taninos muito agressivos. Decididamente um vinho pouco consensual e "baralhante".
Os vinhos seguintes é que foram mais consensuais, infelizmente pelas piores razões. O Quinta das Bágeiras Garrafeira 1º Prémio não engana ninguém, tem Bairrada escrita por todos os poros, ou melhor por todos os taninos... Os taninos, os taninos... Secos como bacalhau, agressivos, pouco integrados, logo nos recordámos dos dois artigos do Tiago sobre o Tanino Português. Houve quem reconhecesse este vinho imediatamente, outros andaram lá muito perto. Finalmente o lanterna vermelha, o Barón de Chirel Reserva 1995. Infelizmente esta garrafa tinha algum problema grave. Alguns dos membros do painel já tinham provado este Rioja em diversas ocasiões e garantidamente não era esta a memória que tinham do vinho. Azar, mas acontece! É muito irritante, mas não há nada a fazer.
No fim da noite, classificações reveladas e conhecidos os vinhos em prova, surgiu o Porto da praxe, desta vez um Niepoort Vintage 1997. Provado também em prova cega, ninguém o reconheceu. Entrou na fase estúpida, algo que acontece a todos os vintage 4/5 anos após o engarrafamento. Há que esperar agora uns 10/12 anos antes de o voltar a abrir. Já sabem, quem tem este vintage em casa guarde-o para o futuro, não o abra agora que apenas o vai desperdiçar. E um vintage deste calibre não é coisa para se poder desperdiçar...
Em suma, uma prova muito educativa, muito bem organizada e com grandes vinhos, esta com o João Quintela nos brindou!
Copyright © 2002 Os 5 às 8 |
|
|
| | |