Todos os vinhos provados Vinhos provados
 Todas as provas cegas Provas cegas
 Todos os Artigos Artigos
 Forum discussão Forum discussão
 Informações sobre o mundo do vinho Conhecer o vinho
 Todas as regiões de produção do vinho Regiões
 Todos os produtores Produtores
 Formulário para enviar Notas de Prova Enviar Notas
 Livros relacionados com vinho Livros
 Lojas de vinho Lojas
 Restaurantes Restaurantes
 Informação sobre o grupo de prova Quem somos
 Os nossos contactos Contactos
 Web sites interessantes ou úteis Links
        
 
Prova n.º 24 de Os 5 às 8 (Lisboa) 05 de Fevereiro de 2003
Quinta da Pellada Estágio Prolongado200016,1
 Touriga Nacional e Tinta RorizÁlvaro Castro
 13 % volDão 
Sogrape Reserva Alentejo199914,9
 Trincadeira, Aragonês e Alfrocheiro PretoSogrape 
 13,5 % volAlentejo 
Conde de Vimioso Reserva200014,8
 Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional e Cabernet SauvignonFalua 
 13 % volRibatejo 
Vale de Barqueiros199414,5
 Trincadeira, Corropio e castas velhas misturadasSoc. Agrícola Herdade Vale de Barqueiros 
 13,5 % volAlentejo 
Brunheda Reserva 2000200014,5
 Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga BarrocaSociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos Vale da Corça 
 12,5 % volDouro 

Crónica
 
Pois é, mais uma prova. Mais uma igual a tantas outras... Igual? Com os cinco do costume? Sim, estavam lá a Paula Costa, o Rui Falcão, o Pedro Gomes, o João Quintela e o Tiago Teles, ou seja Os 5 às 8! Mas, desta vez não estiveram sozinhos, desta vez tiveram a muito agradável companhia de alguns dos membros mais assíduos do site e sobretudo do fórum de discussão. Pois não é que também lá estiveram o Frederico, o João Rato, o Jorge Sousa, o Hugo e o Rui Miguel? E que boa prova este encontro proporcionou! Além da confraternização e do convívio social sempre de realçar, o encontro proporcionou ainda uma grata experiência enófila a todos os participantes. Como é que foi organizada? De forma muito diferente do habitual. Primeiro o número de participantes duplicou em relação ao usual, ou seja estiveram presentes dez provadores. Cinco dos participantes levaram vinho, e portanto conheciam um dos vinhos em prova, cinco participantes não conheciam nenhum dos vinhos (e portanto estiveram em prova duplamente cega)e o Rui Falcão conhecia os cinco vinhos e qual a sua ordem. Ou seja, existiram quase três categorias de provadores, um que sabia tudo, quatro que tinham um conhecimento muito parcial e cinco que não sabiam nada...

Qual foi o critério usado desta vez? Nenhum! Cada um dos provadores "eleito" para trazer vinho escolheu o que bem lhe apeteceu... Claro está que os critérios não foram totalmente coincidentes tornando a prova mais curiosa, mais exigente e mais desafiante. Como de costume foram provados cinco vinhos, com a companhia sempre esperada de um generoso no final de refeição. As avaliações foram consensuais? Nem sempre! Na verdade, na verdade só um dos vinhos teve apreciações homogéneas dos provadores. E não, não foi o vinho ganhador! Claro que com tão elevado número de provadores e portanto de pontuações a serem ponderadas, as diferenças de pontuação entre vinhos tendem a esbater-se...

E vejamos então como se comportaram os vinhos em despique. Comecemos pelo grande vencedor da noite, o Quinta da Pellada Estágio Prolongado 2000. É um grande vinho, elegante tanto nas notas aromáticas como na boca, com muitas notas florais e com a madeira muito bem integrada no conjunto. Demonstrou ser um perfeito exemplar de aquilo que o Dão consegue fazer como nenhuma outra zona em Portugal, conjugar elegância e potência com alguma descrição à mistura. E claro, o Rui Miguel, conhecido entusiasta da região do Dão rejubilou de alegria. Provou ser um vinho quase consensual, aliás apenas um dos provadores não lhe teceu elogios. Não deixa de ser curioso que para esse provador este acabou mesmo por ser o vinho menos interessante da noite! Apenas prova que os gostos não são universais.

Em "runner-up" aparece um vinho do Alentejo, o Sogrape Reserva Alentejo 1999. Do Alentejo? Ninguém diria! Penso que poucos conseguiriam situar este vinho no Alentejo. Acidez elevada, sobre-maturação da fruta, um pouco excessivo, mas simultaneamente um vinho apelativo e "redondinho". Mais um dos casos curiosos, este vinho teve classificações muito homogéneas, com um só desvio, o de um provador que francamente apreciou o vinho! E não há dúvida que gostou! Já agora e para que fique registado, não, não foi o mesmo que não gostou particularmente do Quinta da Pellada...

Na última posição do pódium, quem diria, um vinho do Ribatejo. Em concreto, o Conde de Vimioso Reserva 2000, um vinho que tem sido elogiado como "O" vinho do Ribatejo. Pois não foi o que este painel confirmou. Este foi o vinho mais consensual da noite, praticamente sem desvios de notas entre os vários provadores. Mostra um lado vegetal intenso, muita madeira, taninos fortes, mas com uma evolução na boca curta.

Chegados a este ponto da crónica e antes de avançarmos para o nome de próximo vinho temos de fazer dois pequenos reparos. Primeiro, um dos colaboradores pela elaboração do vinho classificado em quarto lugar estava presente entre nós, o João Rato. Os nossos parabéns pela participação que teve neste projecto com excelentes resultados. Segundo, umas das castas presentes neste vinho chama-se Corropio! Quem conhece esta casta? Podíamos entrar agora no capítulo dos fabulosos e delirantes nomes de muitas castas portuguesas, mas fica para outra ocasião. O vinho foi o Vale de Barqueiros 1994 1º Prémio, um vinho alentejano já com nove anos. E quem diz que os vinhos alentejanos não sabem envelhecer? Alguns não saberão, mas feito com mestria e boa matéria prima pelos vistos pode e envelhece bem. Claro que nesta prova acabou por ser ligeiramente penalizado ao estar em confronto com vinhos muito mais jovens. Curiosamente o vinho evoluiu bem no copo, ao contrário do que seria a expectativa.

E por fim falemos do lanterna vermelha, uma surpresa para todos. Estamos a falar do Brunheda Reserva 2000, um vinho que fez furor há menos de um ano e que ajudou a lançar o seu produtor no mercado dos vinhos falados e comentados. E que mudança em menos de um ano! De um vinho com aromas possantes, doces, mas com personalidade, está agora com aromas confusos, demasiado doces, desequilibrados. E a boca, essa então está a um passo do enjoativo. Houve mesmo quem comentasse que o vinho "iria bem com umas trouxas de ovos"! E nem sequer se pode dizer que fosse problema da garrafa, já que foram abertas duas... estranha evolução. Foi consensual? Não, dois dos provadores gostaram bastante do vinho e outros três penalizaram-no!

E o Porto, que tal? Qual foi? Foi o Burmester vintage 2000, um vinho que já nos proporcionou alegrias e ligeiras desilusões. Desta vez ficou-se por um meio termo, não esteve fantástico mas já o vimos pior... Bem sei que não parece muito esclarecedor... A cor é preta, claro, o aroma a fruta preta juntamente com algum vegetal domina. Infelizmente continua a ter uma espinha pouco sólida, há um muito ligeiro oco no meio. Mas é garantidamente uma das melhores relações qualidade/preço do mercado, um dos poucos vintages acessíveis ao consumidor médio.

Valeu a pena o encontro? Por nós sim, penso que foi uma experiência muito enriquecedora para todos, educativa e proporcionadora de bons momentos de convívio. E é sempre bem diferente estar cara a cara com pessoas que apenas se conhecem por detrás de teclados... Por nós, um acontecimento a repetir.

Copyright © 2002 Os 5 às 8