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| Prova n.º 26 de Os 5 às 8 (Lisboa) 20 de Março de 2003 |
| 1º | Quinta da Pella Tinta Roriz Estágio Prolongado | 2000 | 16 |
| | 100% Tinta Roriz | Álvaro Castro | |
| | 13 % vol | Dão | |
| 2º | Alión | 1998 | 15,3 |
| | 100% Tempranillo (Tinta Roriz) | Bodegas y Viñedos Alión SA | |
| | 13,5 % vol | Ribera del Duero (Espanha) | |
| 3º | Roda I Reserva | 1997 | 14 |
| | 100% Tempranillo (Tinta Roriz) | Bodegas Roda SA | |
| | 13,5 % vol | Rioja (Espanha) | |
| 4º | Quinta do Vale da Raposa Tinta Roriz | 1998 | 11,9 |
| | 100% Tinta Roriz | Domingos Alves de Sousa | |
| | 13 % vol | Douro | |
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| Crónica |
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Depois de um prolongado interregno (nem sempre é fácil compatibilizar os afazeres profissionais e pessoais de cinco pessoas), os membros de Os 5 às 8 voltaram à acção para mais uma sessão de prova cega. Desta vez a Paula não pôde estar presente e portanto apenas quatro membros compareceram à chamada, a saber, Rui Falcão, Pedro Gomes, João Quintela e Tiago Teles. O tema escolhido para a prova foi a casta Aragonês/Tinta Roriz, na sua variante nacional ou ibérica. Foi dada total liberdade em relação ao estilo ou nacionalidade. As duas únicas condições impostas foram ser um 100% Tinta Roriz (e sinónimos) e ser posterior a 1997. Como facilmente se pode comprovar, a última premissa não foi respeitada por um dos provadores, mas enfim, que posso dizer, desta vez foi perdoado...
Falemos então dos vinhos em prova! Primeiro facto curioso, estiveram em despique dois vinhos espanhóis e dois portugueses. Por felicidade os vinhos espanhóis eram provenientes de regiões diferentes, aliás tal como os dois vinhos portugueses. Em variedade de proveniência era difícil escolher melhor. Comecemos pelo vinho vencedor, o Quinta da Pellada Estágio Prolongado Tinta Roriz. Um bom vinho, com bons aromas e com uma boca surpreendentemente cheia e complexa. Mais uma boa aposta de Álvaro Castro. Estes Estágio Prolongado (vinhos que passam por um estágio mais prolongado em madeira) são vinhos que vieram marcar um notável incremento de qualidade neste produtor. Foi um vinho com notas e apreciações homogéneas, com excepção de um provador, que numa só palavra - adorou! E pontuou em conformidade.
O medalha de prata, depois de identificado revelou-se uma desilusão. Muito mais se esperava deste vinho, o Alión 1998. Pelo menos o rótulo é sonante. Em abono da verdade não é uma questão de rótulo, os vinhos são regularmente muito bons e com boas relações qualidade/preço (se bem que isso esteja a mudar com a colheita de 99...). Mas atenção, não é de forma alguma que o vinho seja mau, muito longe disso. E a "desilusão" só surgiu quando no final foi revelado o nome do vinho, nunca antes. Ou seja, o vinho é um bom vinho, está no limiar da classificação de Muito Bom na nossa escala, mostra boa fruta, toques tostados, uma boca potente mas um pouco discreta no final. Foi um vinho com pontuações muito consensuais.
Já o mesmo não se pode dizer do Roda I. Aqui a classificação dividiu-se e partiu-se, com dois provadores a gostarem do vinho e outros dois a não mostrarem grande entusiasmo. Uma coisa é certa, este Roda está num patamar qualitativo bem inferior ao Álion, embora esta comparação seja muito pouco justa já que 1997 foi um ano péssimo em Ribera (e em grande parte de Espanha) e 1998 foi um ano considerado de boa qualidade em Rioja. A cor demonstrava já alguma evolução e o desequilibro alcoólico era evidente. Decididamente uma má relação qualidade/preço já que este é um vinho caro. Finalmente o lanterna vermelha, o Quinta do Vale da Raposa Tinta Roriz. Aqui não existiram grandes dúvidas, o vinho envelheceu muito mal e está já condenado. Aromas de estrebaria, suor de cavalo e uma boca muito suave, quase diluída, curta. Um vinho já quase a roçar o desagradável. A nota reflecte a impressão que este vinho causou no painel.
Por fim foi provado um Bin 27, que se mostrou com a forma habitual. Um Porto muito honesto, sempre agradável, um "super premium ruby" de boa categoria. E não nos podemos esquecer que ainda é vendido a um preço simpático, coisa que começa a rarear nos Portos. Em suma, foi uma prova interessante, educativa e com resultados dificilmente previsíveis. Mais uma confirmação, se tal necessário, que as provas cegas conseguem ter resultados surpreendentes.
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