Tive algumas dúvidas em partilhar as minhas impressões sobre esta prova, no item "Provas" ou abrir um novo tópico no item "Fórum". Como penso que a ideia era contribuir para delinear a opinião sobre alguns vinhos provados num jantar e não propriamente entrar numa troca de ideias sobre um tópico, optei pela primeira hipótese. Sem querer minimizar a opinião do Tiago Teles, penso que a expectativa deste jantar não residia apenas na esperança de provar o Qtª da Gaivosa 2000. Isso seria reduzir a significância de um produtor com um leque variadíssimo de vinhos varietais e de lote. Assim havia que aguardar a selecção eleita pelo Alves de Sousa para este evento e ela assim surgiu, servida como o Tiago referiu a temperaturas aceitáveis mas limitada pela indisponibilidade de copos adequados para todos os vinhos. Outros factos relevantes pela negativa foram:
- serviço directo das garrafas, sem decantação (mas compreendo as questões logísticas do nº de decanters)
- número limitado de garrafas em serviço para tão grande número de convivas (aqui a minha capacidade de compreensão é mais curta). Isso implicou, que alguns vinhos (se não quase todos), não podessem ser degustados segunda vez e talvez com o cuidado que seria aconselhável e desejado.
De qualquer forma ficam registadas as seguintes notas de prova.
As notas reflectem a opinião de Jorge Sousa:
Gaivosa Branco 2002 - Notas aromáticas de fruta não muito intensas mas agradáveis. Na boca está equilibrado, mas mais em simplicidade do que em complexidade. É um vinho directo, leve e que dá algum prazer beber. - 14,5 a 15
Quinta do Vale da Raposa Touriga Nacional 2001 - De início muito pouco revelador de aromas, depois surge o vegetal a dominar sobre o floral da T. Nacional, que fica para segundo plano. Se a memória não me falha, díspar em relação à colheita anterior (2000), onde os aromas a Porto de estágio em garrafa eram francamente exuberantes e apetecíveis. Melhor na boca, mais revelador da fruta e da madeira, que no entanto, ainda jogam cada uma para seu lado. Taninos com vigor mas sem arestas. Persistência média/longa. Tendo em conta este quadro penso que possa ser um vinho que venha a ganhar com algum tempo em cave. Não me desagradou por completo mas foi o tinto em prova que menos apreciei. Talvez por isso me tenha saído uma garrafa no habitual sorteio de final de jantar...para uma 2ª oportunidade!?. - 15 a 15,5
Quinta do Vale da Raposa Tinto Cão 2001 - Aroma intenso de frutos vermelhos muito maduros. É cheio, macio, encorpado mas elegante. Não é pesado e tem uma untuosidade gulosa. Final de boca mediano a longo mas com ligeiro toque amargo na região retro lingual.
Como o Tiago referiu continua no bom perfil da colheita anterior (99), perdendo talvez para esta apenas num pouco mais de poder e estrutura (melhor 99). Se continuar a ser bem trabalhado dificilmente perderá em prova cega, para outros vinhos Portugueses da sua gama... mas é apenas uma opinião pessoal. - 16,5 a 17
Quinta do Vale da Raposa Grande Escolha 2000 - Mais carregado na cor que os anteriores. Nariz vegetal, frutado e com alguma especiaria. Encorpado mas sem cobrir os taninos vigorosos, que lhe conferem uma secura bem presente no palato médio e final de boca. A fruta também está presente na boca a equilibrar a referida secura. Estrutura mediana. Bom vinho mas que não fica gravado na memória. - 15,5 a 16
Reserva Pessoal Domingos Alves Sousa Tinto 1999 - Concordo quando o Tiago afirma que estamos perante um vinho complexo e delicado. Penso aliás, que são esses os seus principais traços de personalidade. Não sei se merecia um ambiente de prova mais descontraído, mas
mais íntimo, com certeza. Aromas fechados e pouco intensos, que vão depois abrindo muito lentamente mas sem nunca se tornarem intensos. Estrutura magnífica, taninos bem envolvidos pelo corpo, macio e muito equilibrado. Apresenta assim um complexidade digna de realce, especialmente porque tem a parceria de uma delicadeza requintada. Persistência longa. Sendo um vinho que terá tendência para perder, em prova cega, com as mais modernas referências de excelência do Douro (pelas características referidas acima) é no entanto um vinho para momentos especiais, para ser apreciado com calma e com toda a atenção dos sentidos. Vejamos como evolui, particularmente a nível dos aromas... Infelizmente é um "bom" exemplo de um vinho exageradamente caro...45? - 17 a 17,5
Reserva Pessoal Domingos Alves Sousa Branco 2001 - É um branco pesadão com excesso de álcool, especialmente na boca. Pareceu-me desequilibrado pelo exagero mas também pela falta de interligação e harmonia entre os componentes. Como diz o J. Paulo Martins (anuário 2003) é um néctar para "malucos do vinho"...pois entre os confrades do jantar, com quem troquei ideias, não encontrei nenhum "maluco"! Antes pelo contrário. Assim tem de se gostar muito do vinho para o beber com prazer, até porque parece que custa à roda dos 25? - 12,5 a 13
Alves de Sousa vinho fino 1999 - Bebe-se sem desprazer mas de facto com poucos atributos!
Como nota final, teria sido interessante o Anselmo Mendes (enólogo do produtor), ter cumprido o que prometeu no início do jantar e ter apresentado, mesmo que de forma breve, os vinhos em prova. Não percebi porque é que isso não aconteceu, uma vez que parece isso ser um hábito regular nestes eventos organizados pela loja "Coisas do Arco do Vinho". De resto excelente menu de degustação a acompanhar os vinhos. Parabéns aos organizadores, parece que estão a conseguir melhorar bastante este aspecto.
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