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Prova n.º 4 de Os 5 às 8 (Lisboa) 14 de Junho de 2002
Quinta do Côtto199217,9
 Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga FrancesaAntónio Champalimaud
 12,5 % volDouro 
Quinta de Baixo199117
 BagaQuinta de Baixo 
 13,5 % volBairrada 
Pêra Manca199116,7
 Aragonêz e TrincadeiraFundação Eugénio de Almeida 
 12 % volAlentejo 
Casa de Saima Garrafeira199116,6
 BagaCasa de Saima 
 13,5 % volBairrada 
Barca Velha199116,1
 Castas tintas misturadasFerreirinha (Sogrape) 
 12,5 % volDouro 
Quinta dos Roques199215,8
 Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro Preto, Tinto CãoQuinta dos Roques 
 12,5 % volDão 

Crónica
 

No passado dia 14 de Junho de 2002, reuniu-se a equipa de redacção de Os 5 às 8 no restaurante Verde Gaio, em Campo de Ourique, para provar vários vinhos da colheita de 1991.

O procedimento utilizado foi o habitual, a prova cega. Nesta ocasião contámos com a presença da Liliana (mulher do Tiago Teles), como convidada para o evento. A prova, graças á cortesia do restaurante Verde Gaio, levou-se a cabo na sala (quase privada) que para esta prova foi preparada.

Como de costume os vinhos foram provados sem se saber a ordem de serviço. Quando esta prova foi planeada um dos provadores, Rui Falcão, disse que para além dos vinhos que tinham sido previamente combinados iria levar um outro vinho surpresa, não da 1991, mas sim de 1992. Também o Pedro Gomes afirmou que traria mais outro vinho, igualmente da colheita de 1992. Mal sabiam os membros deste painel de prova a surpresa que lhes estava reservada. É que o vinho que o Rui Falcão levou foi precisamente a grande surpresa da noite. O vinho foi o Quinta do Côtto 1992. O factor aqui a realçar é a díspar gama de segmentos e logicamente de preços em que os vinhos provados se dividem. Foram provados vinhos muito caros e de topo de gama portugueses, caso do Barca Velha e do Pêra Manca e vinhos do segmento médio como o Quinta do Côtto e o Quinta dos Roques. Ora o que é curioso é que o vinho vencedor é precisamente do segmento mais baixo e o penúltimo vinho é do segmento mais alto ! Definitivamente dá que pensar. Não é de modo algum que por exemplo o Barca Velha seja um mau vinho, eventualmente não justifica é o preço. O valor raridade (se se pode falar em raridade numa produção de milhares de garrafas), prestigio e por que não afirmá-lo de especulação faz com que o preço do Barca Velha e do Pêra Manca sejam perfeitamente desajustados.

O Quinta do Côtto foi o vinho que mostrou maior elegância, harmonia e o que mais prazer deu a beber (por alguma razão foi o primeiro a desaparecer dos copos dos provadores...). O Quinta de Baixo embora não se mostrando tão pujante como em ocasiões anteriores mostra que é um vinho para durar anos, ainda alguma fruta e um fim de boca menos elegante mas cheio de garra. O Pêra Manca portou-se muito bem, é um vinho muito redondo, ainda com muita vida pela frente, com um aroma fino mas com uma estrutura perfeitamente surpreendente para um vinho do Alentejo com 10 anos. Nenhum dos membros do painel identificou o vinho como sendo o Pêra Manca, o que junto a vinhos do Douro e da Bairrada só pode ser considerado um elogio. O Casa de Saima Garrafeira era sem margem para dúvidas o vinho mais jovem em prova, tão jovem que parecia deslocado nesta prova de vinhos com uma década ! Beber este vinho agora é ao mesmo tempo uma alegria e uma prova de pedófilia vínica, de tal modo este vinho está jovem. Atenção, o vinho não é um modelo de elegância e finura, mas também não é um bruto rústico. O Barca Velha era facilmente detectável pela cor carregada que ainda apresenta, pelas notas terrosas e a tabaco. Mostrou um nariz elegante e uma acidez firme na boca que lhe irá permitir viver muitos anos. Por fim o Quinta dos Roques mostrou-se muito menos interessante que em provas anteriores, provavelmente esta garrafa não seria a melhor do lote (ou então a outra garrafa provada é que era a excepção...). Mesmo assim para um vinho com 10 anos estava muito saudável.


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