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| Prova n.º 30 de Os 5 às 8 (Lisboa) 06 de Maio de 2003 |
| 1º | Vinha Paz Touriga Nacional | 2000 | 14,9 |
| | 100% Touriga Nacional | António Canto Moniz | |
| | 13 % vol | Dão | |
| 2º | Quinta do Vallado Touriga Nacional | 1999 | 14,4 |
| | 100% Touriga Nacional | Dona Maria Antónia Ferreira | |
| | 14 % vol | Douro | |
| 3º | Quinta dos Roques Touriga Nacional | 2000 | 14,2 |
| | 100% Touriga Nacional | Quinta dos Roques | |
| | 13,5 % vol | Dão | |
| 4º | Quinta da Fonte do Ouro Touriga Nacional | 2000 | 13,4 |
| | 100% Touriga Nacional | Soc. Agrícola Boas Quintas | |
| | 13 % vol | Dão | |
| 5º | Quinta da Cortezia Touriga Nacional | 2000 | 13 |
| | 100% Touriga Nacional | Quinta da Cortezia - Caves Aliança | |
| | 12,5 % vol | Estremadura | |
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| Crónica |
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Frustração! Frustração pura e dura! E logo nesta prova, preparada com tanto carinho e onde apostamos tudo na casta rainha de Portugal, a Touriga Nacional. Decidimos ver o que valiam os Tourigas de 2000, independentemente da sua proveniência. A única condição era serem vinhos estremes da casta Touriga. Ora sabendo nós que o ano de 2000 foi rotulado como sendo de qualidade bastante razoável, e animados pela certeza que a Touriga sempre nos dá, esperávamos muito mais desta prova. A verdade é que tivemos uma desilusão profunda, uma desilusão que ainda se tornou mais lúgubre se antentarmos nos preços a que são comercializados os exemplares em prova, cerca de 15€ de média. Na relação qualidade/preço a noite foi um verdadeiro desastre!
Mas a prova não foi completamente inocente, nem no tema nem na data em que foi convocada. Primeira advertência, não, não vale a pena ir consultar as suas notas, os seus apontamentos pessoais, os números atrasados das revistas da especialidade para verificar onde é que "perdeu" o Quinta do Vallado Touriga Nacional. É que ele pura e simplesmente não existe! Ou melhor, existe, mas não existe! Ou seja, existe mas nunca chegou a sair para o mercado. Tem rótulo, está engarrafado, mas o produtor ainda não tomou a decisão se o colocará no mercado ou não. Tratou-se de uma generosa e arrojada oferta do produtor, enviada a um dos membros de Os5às8, na condição expressa de ser provado ás cegas pelo painel, preferencialmente nesta altura do ano. Mantida em segredo pelo tal membro do painel, agora foi esse membro que insistiu na convocatória para uma prova de Tourigas, algures entre o ano de 1999 e 2000!
O Dão esteve representado em larga maioria (será que inconscientemente se associa Touriga Nacional a Dão?), contando ainda a prova com representantes do Douro e da Estremadura. É interessante constatar que há pouco mais de cinco anos seria quase impossível encontrar vinhos estremes de Touriga Nacional fora das suas regiões de origem, Dão e Douro. Hoje assistimos à proliferação de vinhos, vindos de todo o país, numa propagação e divulgação da casta, a todos os títulos notável. Mas o franco aumento da área de vinha plantada, com o consequente aumento do número de vinhos comercializados, tem tradução num aumento da qualidade média? A questão impõe-se!
Quem esteve presente? Os três da vida airada, a saber Rui Falcão, Pedro Gomes e Tiago Teles, desta vez acompanhados por um convidado, o Hugo Pinto. Escusado será relembrar que as notas finais reflectem em exclusivo as opiniões dos três membros do painel. Não existe outra forma de manter a coerência e consistência do painel. Vejamos então como se portaram os vinhos, caso a caso. Comecemos pelo que mais agradou ao painel (o que não significa que tivesse impressionado) o Vinha Paz Touriga Nacional 2000. Curiosamente desta vez os vinhos e respectivas apreciações, com uma única excepção, foram assaz consensuais. E foi o que se passou com este Vinha Paz, um típico vinho do Dão, com cor mais esvaída, mais esbatida, com os seus inconfundíveis aromas a caruma, e com fruta delicada e elegante. Um vinho interessante e simpático.
O Quinta do Vallado Touriga Nacional 1999, foi o tal único vinho que não foi consensual. Primeira observação a fazer, a coragem do produtor em colocar este vinho num painel impiedoso, e sobretudo em solicitar que fosse provado em prova cega. Gostámos do pormenor e da audácia. Segunda observação, ainda falta muito tempo para o vinho harmonizar os seus "ingredientes", os seus múltiplos componentes, isto claro, se alguma vez os conseguir harmonizar. Neste momento o vinho está muito difícil, complicado de analisar, é um "monstrinho" ainda muito pouco domesticado. Em abono da verdade, qualquer valorização, positiva ou negativa, tem de ser encarada com alguma condescendência e não pode ser levada à letra. A classificação final acaba por reflectir o que ele vale neste preciso momento, quanto à sua evolução, logo se verá como corre. Em consciência o vinho tanto pode evoluir para algo de interessante e original, como pode descambar num vinho perfeitamente desinteressante. Por agora surpreende pelos fortes aromas a cola industrial, a verniz, cera, tinta, um caso sério de troca de personalidade... A boca é poderosa, os taninos são possantes, agressivos, enfim segue um pouco a filosofia da escola Vallado.
No meio da tabela ficou o Quinta dos Roques Touriga Nacional 2000, um vinho que muito sinceramente não nos encheu as medidas. Sem dúvida que é bastante floral, que identifica na perfeição a casta, mas não consegue descolar de uma presença apenas mediana no aroma e no paladar. Não tem defeitos, é redondo e agradável de beber, mas falta-lhe chama, falta-lhe garra e alegria. De certa forma é aquilo que um dos membros do painel caracteriza como um vinho Omega, não atrasa nem adianta! O Quinta da Fonte do Ouro Touriga Nacional 2000, já se situa num patamar qualitativo explicitamente inferior. Aromaticamente o álcool está demasiado patente, os aromas não são completamente limpos e a acidez está em desequilíbrio com a estrutura do vinho.
Finalmente o Quinta da Cortezia Touriga Nacional 2000, o menos amado do painel. Aromas demasiado verdes, acidez extremamente agressiva, taninos muito secos e ásperos, facilmente explicam porque é que este Estremadura não conseguiu conquistar o painel. E atentemos ao preço a que é comercializado, ou melhor a que são comercializados os vinhos em prova, para nos apercebermos que algo está podre, não no reino da Dinamarca, mas sim na república portuguesa...
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