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Prova n.º 31 de Os 5 às 8 (Lisboa) 15 de Maio de 2003
Quinta do Monte d´Oiro Reserva199916,7
 97% Syrah e 3% ViognierlLuís Elias Carvalho
 14 % volEstremadura 
Penfolds Bin 707199815,3
 100% Cabernet SauvignonPenfolds 
 13,5 % volSouth Australia(Austrália) 
Vila Santa199914,9
 Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Alicante BouschetJoão Portugal Ramos 
 14 % volAlentejo 
Quinta da Gaivosa199913,7
 -Domingos Alves de Sousa 
 13,5 % volDouro 

Crónica
 
Mais uma noite, mais uma prova, mais um desafio, mais um vez em prova totalmente cega. Desta vez o repto foi concebido e organizado pelo Tiago Teles, que se dispôs a acolher e a escolher os vinhos em exame. Esta prova contou com a participação de Rui Falcão, Pedro Gomes, Tiago Teles tendo como distinto convidado o Hugo Pinto.

O que é que vamos provar? Foi a primeira pergunta que nos assolou imediatamente o espírito. Conseguimos manter a nossa curiosidade e ansiedade a um nível aceitável, mas esperávamos mais uma vez uma prova memorável. Diga-se de passagem, algo a que o Tiago já nos habituou. "Hoje temos uma prova especial", foi a única frase que enigmaticamente se soltou da boca do Tiago. Logo pensámos, humm, isto promete, vamos ter mais uma prova de arromba! Depois de alguns minutos para pormos a conversa em dia, os planos da batalha foram revelados. Desta vez começávamos por um branco e depois atacávamos quatro tintos, "especiais", estava-se mesmo a ver! E no fim, um Porto para acabar em beleza!

E lá veio o branco, coberto de mistério, envolvido em segredo, rodeado de fortes medidas de segurança. A garrafa estava escondida e apenas o mestre de cerimónias, leia-se Tiago Teles, podia ter acesso à garrafa. E pronto, relutantemente lá entregámos os nossos copos e copo a copo o Tiago foi fazendo a viagem da sala até ao local do crime! Mas valeu a pena e a surpresa foi total. Era só olhar as nossas caras de espanto e os palpites que foram sendo lançados. Houve quem lhe encontrasse imediatamente as origens - Alemanha - e mesmo quem arriscasse no produtor, alemão obviamente! Muitos palpites, muitos bitates, muitos gestos de apreciação, muitos esgares de aprovação e sobretudo muitos olhares de incredulidade quando foi revelada a origem de tão apreciado "bicho". Não era então que o vinho afinal era portuguesíssimo, de A-dos-Cunhados, feito com uma casta relativamente obscura, pelo menos em Portugal, a Petit Manseng? Que vinho era? O Casal Figueira Licoroso 2000 (em amostra de casco), um vinho extraordinário em todos os sentidos. Ouso afirmar que foi para nós todos o vinho da noite!

Demorou muito até conseguirmos ter a boca de novo limpa para podermos atacar os tintos. E em boa hora o fizémos! Indubitavelmente, a prova foi bastante diferente do que esperávamos. Bastou o começar a levar os copos ao nariz para nos apercebermos que desta vez os vinhos eram diferentes. Depois da introdução com o branco já estavamos desconfiados, mas as primeiras "cheiradelas" cedo desvaneceram qualquer dúvida. Desta vez os vinhos eram de outro segmento, e com vários "concursantes" nacionais. Vejamos então como correu a prova.

Na posição cimeira ficou o Quinta do Monte d´Oiro Reserva 1999, vinho particularmente apreciado por dois dos membros do painel. Um Estremadura muito elegante, estruturado, cheio de personalidade, enfim um velho conhecido e um vinho que sempre se portou muito bem nas nossas provas cegas. Que mais há a dizer, é um belo exemplo de um vinho sério e muito bem feito. O vinho que se seguiu, o Penfolds Bin 707, foi simultaneamente uma desilusão e uma esperança. Se nestas coisas houvessem vencedores antecipados, este tinha o lugar cativo e reservado. Um dos pesos-pesados da enologia mundial, regularmente referenciado no grupo restrito dos dez melhores Cabernet Sauvignon do mundo, o segundo vinho do "estábulo" Penfolds logo a seguir ao Grange, tudo apontava para uma vitória fácil e folgada. Desenganem-se, não foi o que aconteceu! Neste momento o vinho está demasiado "verde", com cada componente a "gritar" para o seu lado, sem harmonia nem elegância. Mas a verdade é que os Penfold Bin 707 são feitos e desenhados para o longo/muito longo prazo, e têm fama de serem imbebíveis na infância e por vezes mesmo na juventude. Confirmámos a fama que vem de longe! Se tiver alguma garrafa, nem lhe passe pela cabeça abrir uma nos tempos mais próximos. Espere uns 10 anos antes de a começar a abrir!

Quem se seguiu? o Vila Santa 1999! Um vinho muito consensual, muito certinho, com tudo para agradar e nada para desagradar. Tudo bem, é um pouco magro de estrutura, mas é um vinho consensual e um vinho que é comercializado a preços perfeitamente sensatos. O que já não é coisa pouca nos dias de hoje. Por fim aparece o Quinta da Gaivosa 1999. Foi consensualmente o vinho menos valorizado, chegando mesmo a ser fortemente penalizado por um dos provadores.

Para terminar a noite, discutir resultados, fazer declarações de prova, falar do mundano, foi ainda provado um Warre's Vintage 1977. Ninguém o reconheceu, nem como Vintage nem como LBV. Problema de garrafa? Talvez! Esta garrafa esteve muito longe da excelência. Das outras, quem sabe?

Não podemos terminar sem referir a enorme satisfação, eu diria mesmo quase chauvinismo, por mais uma vez ter sido um representante nacional a impor-se nas nossas provas!

Copyright © 2003 Os 5 às 8