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Esta crónica de prova foi contribuição de um leitor
 
Crónica do jantar de prova do Jorge Sousa e do Rui Miguel
Jantar de prova do Jorge Sousa e Rui Miguel, que decorreu no passado dia 16 de Maio de 2003

Crónica
 

Este jantar tem a sua origem, no longínquo mês de Fevereiro de 2003, em que dois "enófilos" amigos e amantes das coisas boas da vida, Jorge Sousa e Rui Miguel, começaram a congeminar a criação de um grupo de prova, em que a parte gastronómica fosse parte integrante. Foram criados vários pressupostos para o grupo de prova. Sendo que a crónica do Rui Falcão ajudou-nos a sistematizar a parte teórica da questão. Terminado o "trabalho de casa", foram feitos alguns contactos/convites a outros "enófilos", alguns deles participantes assíduos do Fórum os5as8.com. Os convites foram gentilmente recusados, por indisponibilidade de tempo. Deste modo, o Jorge Sousa e o Rui Miguel decidiram criar um "Núcleo Duro" constituído apenas por estes dois compinchas. Ficou estabelecido que seriam convidados regularmente outros amantes das coisas do vinho e da boa comida. Seria o referido "núcleo" a decidir o tema e o estilo de cada prova!

Foi seguindo esta linha que apareceu este jantar de prova. Os critérios foram os seguintes: 4 Vinhos entre 1999 e 2000 e que tivessem custado aos anfitriões entre 20€/25€. Não escolhemos castas, região ou produtores. O Jorge e Rui ficaram responsáveis por colocar, cada um, dois vinhos em prova, não dando um ao outro qualquer indicação sobre o que levava...aliás apareceram alguns vinhos que nunca tinham sido provados por ambos! Os convidados estavam completamente às "escuras". Para aumentar a qualidade e imparcialidade da prova, os vinhos foram entregues a outrém, que não participou na prova, e se responsabilizou por decantar os vinhos e numerá-los pela ordem que bem entendesse, sendo postos na mesa de forma aleatória. Os vinhos foram servidos a uma temperatura demasiado próxima da ideal para este tipo de vinhos. Todos os provadores concordaram que teria valido a pena apostar numa temperatura de serviço ligeiramente mais baixa, numa perspectiva de melhor percepção das características de cada vinho. O tempo de arejamento também devia ter sido maior, principalmente pela idade dos vinhos apresentados. "Há sempre algo que falha...."

Os nossos distintos convidados, para este jantar, foram os seguintes: Barão da Cunha, João Quintela, Paula Costa, e quem agradecemos publicamente toda a disponibilidade e simpatia neste primeiro jantar de prova.

As notas dos vinhos reflectem genericamente as opiniões de todos os provadores. Para tal, foi escolhida a escala de valores e classificação do site os5as8, pois pareceu-nos bastante equilibrada e bem conseguida.

Falemos, então, mais detalhadamente dos vinhos que se provaram, que a conversa já vai longa.

O vencedor da noite foi o QUINTA DO MONTE D' OIRO RESERVA 1999. Confirmou ser um vinho de aroma complexo e intenso, com uma boca ao mesmo nível, estruturada e cheia de coisas boas. Tudo equilibrado e de persistência longa. Apenas um provador não o elegeu como o eleito da noite. Em segundo lugar ficou a surpresa positiva da noite, o GARRAFEIRA TE 1999 da J.M.F.. A sua boa prestação também foi consensual, tendo até um dos provadores eleito este vinho como "o seu vinho da noite". Notável em elegância e harmonia. Boa complexidade; Chegou mesmo a ser confundido por alguém como um belo Dão... Está, no entanto, já no seu ponto ideal de consumo! Dá muito prazer ser bebido agora.

Bastante distanciados ficaram o QUINTA DE CABRIZ ESCOLHA VIRGÍLIO LOUREIRO 2000 e REDOMA 1999. Foram as grandes desilusões, já que a critica especializada considera/considerou estes vinhos como EXCELENTES. Detentores de boas referências e elogios. O QUINTA DO CABRIZ foi o mais bem classificado, mas segundo estes provadores, não passou da fasquia "bom vinho, superior à média". É um vinho algo austero, mas em tudo pouco acima da mediania, na concentração, na complexidade e na persistência. Já o REDOMA 1999 revelou muito poucos atributos positivos!? Excesso de álcool no nariz e na boca, também demasiado austero, pouco harmonioso, que o torna nesta altura demasiado desequilibrado. A roçar o sofrível, mas a melhorar com o tempo no copo....Achamos que precisa de bastante tempo em garrafa. Vamos ver se isso chega para algum dia o fazer dar o pulo da mediania???

Estas dúvidas reporta-nos para as elevadas expectativas que são criadas nos consumidores e para a especulação dos preços que existe no mercado interno. Meus senhores há que mudar qualquer coisa!?!

A classificação, ficou assim estipulada e acordada:



Quinta do Monte D'Oiro Reserva199917,05
 97% Syrah e 3% de ViognierLuís Elias Carvalho 
 14 % volEstremadura 
JMF Garrafeira TE199916,65
 Cabernet Sauvignon e Castelão FrJosé Maria da Fonseca 
 12,5 % volTerras do Sado 
Quinta de Cabriz Escolha Virgílio Loureiro 200015,35
 Várias castasQuinta de Cabriz 
 13 % volDão 
Redoma199914,95
 Várias castasNiepoort 
 14 % volDouro 




Do ponto de vista, gastronómico, as iguarias apresentadas e degustadas apresentaram um nível muito elevado, de uma simplicidade, qualidade e sofisticação dignas de registo. Foram exemplos, de como se podem servir produtos tradicionais, de alto nível.

Nas entradas, fomos surpreendidos por um presunto "Porco Preto", de superior sabor, textura agradável e gordura saborosa. Sal na medida certa, sem exageros, e cortado em fatias delicadas e finas, tudo muito profissional. A alheira, degustada, era mesmo de caça!?! Nada industrial, muito boa, com delicados e identificáveis pedacinhos de carne. Houve quem dissesse que parecia a "alheira da avó" e que estava a fazer uma viagem no tempo. "Ao tempo das memórias da infância...!!!"

Como pratos principais, foi servido "D' Artois de Aves", uma aplicação de massa folhada, com carnes mistas e maçã, foi um luxo! Muito delicada em que a maçã combinou muito bem e deu toque agridoce. As "Plumas" de porco preto, portaram-se muito bem, grelhadas, sendo mesmo de porco preto! Mais um exemplo de um excelente produto português, de muita qualidade e sabor ímpar...

Nos queijos, foram apresentados dois queijos provenientes de regiões diferentes: Um queijo de Serpa, de meia cura e um amanteigado da Serra. Neste capítulo, o Serpa portou-se melhor. Com aromas mais complexos e profundos.

Para sobremesa, um semi-frio de morangos de Sintra, natas e hortelã muito frescas e suaves, nada enjoativo e pesadão! Parabéns ao chef..."

Ao acompanhar os queijos e semi-frio, deliciámo-nos com dois Portos distintos. Um VINTAGE da Taylor's de 17 aninhos - 1986, com boa evolução de garrafa, certinho, com aromas terciários gostosos, harmonioso e macio...OBRIGADO, Barão! E um excelente NIEPOORT 10 ANOS ... Excelente escolha do João, que os provadores da noite aplaudiram.

Em jeito de despedida, para já, podemos dizer que foi uma experiência muito positiva e que o "Núcleo Duro" já está a preparar outra prova cega para Junho.........boas provas!!


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