Só falar dos nomes, o espírito de um qualquer enófilo treme ao serem pronunciadas as palavras mágicas. Alguns dos vinhos que se iriam confrontar pertencem à nova nobreza vínica do Douro. Autênticos cavaleiros da idade média, vestidos de armadura e de lança em riste e prontos para se degladiarem na arena, isto é, no copo.
Mas falemos mais a sério! Esta prova tinha como ideia principal colocar em confronto alguns dos vinhos "TOPO DE GAMA DO DOURO", das colheitas de 2000 e 2001 … Mas quais e como escolher? É sabido que nos dias que correm existe uma grande variedade na oferta, sendo cada vez mais difícil fazer uma selecção!
Deste modo, foram lançados para cima da mesa doze nomes, aliás doze vinhos, que seriam testados em prova cega. No entanto, seria uma tarefa muito árdua para os provadores que participassem na prova e até injusto para os vinhos, pois provar doze vinhos de uma só vez não é coisa fácil. Desta forma, optou-se por organizar duas rondas de seis vinhos cada, encontrando no agrupamento de cada uma, um perfil mais ou menos homogéneo, dentro do que seria possível…Explicando melhor: Na 1ª RONDA estariam em confronto vinhos supostamente de carácter mais potente, enquanto na 2ª RONDA vinhos com perfil mais elegante…pensávamos nós!
Discutidas e organizadas as respectivas rondas, decidiu-se que os dois primeiros vinhos de cada uma iriam defrontar-se numa finalíssima com mais um ou dois vinhos de referência e que seriam escolhidos mais tarde.
Os tais vinhos da nova nobreza vínica do Douro que se iriam confrontar nesta primeira ronda arena, foram: BATUTA 2000, CRHYSEIA 2001, CAMPO ARDOSA RRR 2000, PINTAS 2001, QUINTA DE MACEDOS 2000 E QUINTA DE VALE MEÃO 2000.
Um autêntico desfile de cavalaria pesada duriense…
Como pudemos ver estavam presentes alguns novíssimos vinhos do Douro como o CAMPO ARDOSA RRR 2000, o PINTAS 2001 e o QUINTA DE MACEDOS 2000 e que têm animado o regresso de férias dos enófilos mais apaixonados. Para completar o ramalhete juntámos o BATUTA 2000, conhecidíssimo porta-estandarte da Niepoort e desejado por muitos de nós, mais o VALE MEÃO 2000 que também se tornou num troféu ambicionado e sem esquecer outro famoso: o CRHYSEIA, neste caso o 2001.
Nesta prova juntaram esforços para testar as pingas o Núcleo Duro, Barão da Cunha, João Quintela, Oliveira Azevedo e Paula Costa.
Os vinhos foram decantados e quando se apresentaram na mesa e lá veio a tinta-da-china! Muito escurinhos o que já adivinhava o altíssimo grau de dificuldade da prova.
De um modo geral, os vinhos revelaram estar em grande forma, evidenciando uma grande qualidade, apresentando a irreverência própria da juventude. Aliado a isto tudo, tínhamos a robustez e o elevado grau alcoólico. Estilo muito marcante na região e também nesta gama de vinhos.
Os resultados obtidos foram muito interessantes, sendo que a diferença na pontuação média absoluta entre o 1º e o 5 classificado, foi muito pequena. Este aspecto comprovou o equilíbrio da prova!
A classificação ficou assim ordenada:
| 1º | Quinta de Macedos | 2000 | 17,83 |
| | Várias castas | Paul Reynolds | |
| | 14,5 % vol | Douro | |
| 2º | Pintas | 2001 | 17,63 |
| | Várias castas | Wine&Soul | |
| | 14,5 % vol | Douro | |
| 3º | Batuta | 2000 | 17,58 |
| | Várias castas | Niepoort | |
| | 14 % vol | Douro | |
| 4º | Chryseia | 2001 | 17,25 |
| | Várias castas | Symington | |
| | 13,5 % vol | Douro | |
| 5º | Quinta de Vale Meão | 2000 | 17,17 |
| | Várias castas | Vale Meão | |
| | 14,5 % vol | Douro | |
| 6º | Campo Ardosa RRR | 2000 | 16,58 |
| | Várias castas | Quinta da Carvalhosa | |
| | 14 % vol | Douro | |
O VENCEDOR, O PRIMEIRO LUGAR foi uma surpresa, por ser o vinho menos badalado! As provas cegas têm disto… o QUINTA DE MACEDOS 2000. Foi o vinho mais bem votado por dois dos provadores e o 2º mais bem votado por outros três. Agradou francamente à maioria … mesmo para aqueles que se enquadram num perfil de vinhos teoricamente mais elegantes. Revelou-se denso, opaco, complexo, com aromas de boa qualidade e intensidade. Na boca, causou inicialmente grande agressividade, devido às componentes tanínica e alcoólica. No entanto, com o decorrer da prova mostrou uma estrutura de grande qualidade e corpo capaz de cobrir os taninos. Um vinho cheio e com uma persistência longa.
O PINTAS 2001, que ficou em SEGUNDO LUGAR, revelou um perfil um pouco diferente do vencedor. É um vinho onde o vigor e a elegância interagem de forma muito consertada. Mostrou-se igualmente denso e opaco. Nariz intenso a folha de chá e tabaco. Boca mais suave, mais discreta com taninos mais sedosos, boa frescura. Um vinho de grande qualidade, essencialmente harmonioso. Foi o eleito para um dos provadores.
SERÃO ESTES DOIS SENHORES QUE IRÃO CONTINUAR EM PROVA…
Falemos agora dos outros intervenientes:
No ÚLTIMO LUGAR DO PÓDIO, ficou um famoso da nossa enologia, BATUTA 2000, que apenas por uma "unha negra" não vai continuar em prova. Apresentou-se complexo, com boa frescura, cheio e nada pesado. Talvez não esteja a atravessar a sua melhor fase, mas evidenciou todas as características para poder melhorar em garrafa. Teve o mérito de ter sido particularmente elogiado por dois provadores e que o pontuaram em consonância …
Relativamente aos outros três vinhos que ficaram de fora dos medalhados, o CHRYSEIA 2001, foi, talvez, o vinho menos consensual da noite, no entanto, apresentou bons atributos, boa estrutura, fácil mas não deslumbrou …
Relativamente ao QUINTA VALE MEÃO 2000, tal como o anterior, também fez divergir os provadores, particularmente nos aromas. Houve quem lhe encontrasse toques florais e enquanto outros realçaram os frutos vermelhos. Um vinho poderoso, madeira, tudo muito ao estilo duriense …teve uma boa classificação!
Finalmente chegamos ao 6º LUGAR, o CAMPO ARDOSA RRR 2000, que já tinha sido provado anteriormente por alguns provadores, por alturas do seu lançamento, foi o vinho que gerou as opiniões mais díspares e maior controvérsia. Realmente, é um Douro diferente e original, especialmente no que toca aos aromas … "ou se gosta ou se odeia"! Houve quem lhe notasse aromas vegetais intensos mas pouco definidos e notas carregadas de fruta em calda do estilo "lichies". A boca mostrou uma estrutura férrea e musculada, digna de registo. Um dos provadores chegou mesmo a penaliza-lo fortemente, se calhar por ser tão diferente! Mas isto são suposições …É um vinho que valerá a pena voltar a beber em prova cega, para tirar a prova dos nove, isto porque uma garrafa é uma garrafa!
De qualquer modo, convêm dizer que os quatro vinhos que vão ficar de fora da próxima ronda são todos de grande categoria, basta ver as suas classificações. Além do mais, deve-se referir que uma prova cega vale aquilo que vale, num momento específico e esta não fugiu à regra. Vejamos como se portam os dois vencedores no próximo confronto ….
Relativamente à vertente gastronómica, iniciámos o repasto com um paio originário da Beira Alta, trazido por um dos provadores e umas fatias de porco preto. Mostraram boa qualidade. Depois uma alheira de caça, que já é tradicional! Muito agradável e suculenta.
Como prato principal, um borrego assado no forno acompanhado com um arroz de alho francês. Combinação muito interessante. O borrego estava bem assado, bem temperado, com o molho muito bem ligado. É uma carne que têm preceito na sua confecção e ligou muito bem com os vinhos.
Nos queijos, estiveram presentes dois exemplares das beiras. Um Queijo da Serra amanteigado e um Queijo de mistura (cabra, vaca e ovelha) originário do Fundão. Os aplausos centraram-se mais no Serra. Suave e cremoso.
Para terminar a noite um LBV ROZÈS de 1995. Fácil e de boa qualidade. Nariz com notas vegetais dominantes, boca aveludada e sem exageros de "densidade corporal". Foi muito consensual no prazer que despertou …
Assim terminou uma prova com grandes vinhos. Muitas surpresas que deixarão os enófilos mais apaixonados com muitas dúvidas e que animarão as conversam! Agora que venha a próxima…
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