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| Prova n.º 37 de Os 5 às 8 (Lisboa) 05 de Novembro de 2003 |
| 1º | Vinha da Nora | 2000 | 16,2 |
| | 95% Syrah e 5% Cinsault | José Bento dos Santos | |
| | 13 % vol | Estremadura | |
| 2º | Esporão Syrah | 2001 | 15,2 |
| | 100% Syrah | Finagra | |
| | 15 % vol | Alentejo | |
| 3º | Violinae XXI | 2001 | 14,8 |
| | Castelão Fr, Trincadeira e Aragonês | Finagra | |
| | 13,5 % vol | Alentejo | |
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| Crónica |
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O critério de selecção era simples: optar por vinhos recentemente colocados no mercado e, supostamente, conotados com a gama média. As escolhas, puramente casuísticas, acabaram por recair no Vinha da Nora de 2000, no Esporão Syrah de 2001 e no Violinae XXI da colheita de 2002. Uma selecção limitada ao Alentejo e à Estremadura, com o aliciante adicional do vinho da Finagra aparecer em duplicado.
Uma prova com vários pontos de interesse. Por um lado, a curiosidade em avaliar o impacto do marketing desportivo na qualidade deste outsider concebido pela Finagra como um "vinho de clube". Por outro, e com base nas três colheitas já lançadas no mercado, a possibilidade de aferir a consistência da segunda marca de José Bento dos Santos. Finalmente, a enorme expectativa em avaliar até que ponto o Syrah produzido pela Finagra poderia rivalizar com o excelente Touriga do mesmo ano e desse mesmo produtor.
No final, as coisas acabaram por não surpreender com o primeiro lugar a ficar nas mãos do Vinha da Nora. Um monovarietal Syrah produzido na Estremadura e que, ano após ano, procura o seu melhor afinamento à luz do modelo francês. Um tinto original e que, mesmo condenado a viver na sombra do Quinta do Monte d'Oiro Syrah Reserva, mostra argumentos suficientes para se bater como muitos topo de gama disponíveis no mercado. Muito fresco -espelhando as virtudes da influência atlântica-, terroso no carácter com as notas de cereja, o toque especiado e os apontamentos de couro a formarem um todo muito consistente. Um vinho que foge ao estereótipo "madurão" dos monovarietais nacionais elaborados com esta casta e sempre marcado por uma suave austeridade que lhe confere maior distinção e refinamento. Um vinho de apreciação obrigatória tanto pela qualidade como pela originalidade patenteadas.
Em segundo lugar ficaria o monovarietal Syrah produzido em 2001 pela herdade do Esporão. Um tinto que alinha pela sobrematuração com os inevitáveis excessos de cor e concentração, bem como pelo carácter capitoso de um álcool saliente -já vamos nos 15%-. Início marcado por notas tostadas da madeira de estágio e algum verniz, a que se sucede uma acentuada torrefacção com as notas de café e cacau a entrosarem-se com o fruto preto de cereja e cassis. Mediano na persistência final, não conseguindo disfarçar a correcção ácida e, acabando por mostrar-se muito aquém do Touriga Nacional que este produtor lançou no mesmo ano. A repetição de garrafas acabou por restringir o painel de vinhos em prova mas serviu de alerta para os mais desprevenidos: o bom senso aconselha que este vinho seja servido a uma temperatura relativamente baixa, e de preferência num dia de Inverno, para que se possam esbater todos os inconvenientes associados ao seu poderio alcoólico. Fará, com certeza, as delícias de muitos enófilos, mas finura, elegância e equilíbrio estão longe de ser os seus pontos fortes. A mesma casta do vinho vencedor, mas um contraste flagrante de estilos. À originalidade do primeiro opõe-se o estilo "dejá vu" do segundo. Poucos pontos em comum entre um Syrah e um Shiraz. Provavelmente, diferentes modos de olhar a vinha, formas opostas de trabalhar os mostos e, inevitavelmente, vinhos diametralmente opostos. Uma questão de estilos. Escolha o seu...
A última posição da tabela acabou por calhar ao Violinae XXI: é provável que não se trate de um "vinho de vinha", mas ninguém lhe rouba o epíteto de "vinho de clube". Produzido pela Finagra na colheita de 2002, este tinto nasce com o propósito de assinalar a inauguração do Alvalade XXI, servindo, simultaneamente, como homenagem aos "Cinco Violinos". A música soou pouco alentejana e o vinho, inicialmente fechado, desenvolve vestígios de couro misturados com os apontamentos vegetais. Acaba por evoluir em doçura e delicadeza fixando-se em notas de caramelo e vincados apontamentos florais, com destaque para a sensação a pétalas. Menos conseguido na boca: nota-se o fruto vermelho de morango mas a extracção e concentração de sabores não são as desejadas. O vinho surge relativamente delgado e paira no ar a dúvida entre as vicissitudes de uma vinha nova ou os malefícios climáticos de um ano como o de 2002, marcada por uma forte diluição dos mostos. O vinho está agradável mas só um adepto faccioso lhe encontrará qualidades excelsas. Mas a subjectividade de uma prova é isto mesmo.
Para o final da refeição estava destinado um "20 Anos" produzido pela Casa de Santa Eufémia. Um belíssimo Tawny, prejudicado pela presença do álcool ao nariz mas com uma belíssima paleta de aromas. O mel e a canela como protagonistas, bem secundados pelas notas de casca de laranja, café, caramelo e iodo. Boa prestação no palato, espesso, untuoso, com a acidez a compensar a doçura dos sabores. Um bom exemplo de como um produtor com um nome menos sonante pode ambicionar a um produto de primeira linha. Uma excelente aposta para um final de refeição.
O reduzido número de vinhos em prova acaba por limitar o leque de conclusões. Mesmo assim, importa destacar:
- um monovarietal Syrah de muito boa qualidade, pleno de originalidade, e que pode contribuir para o prestígio de que a Estremadura tanto precisa;
- um monocasta alentejano, também ele elaborado com a casta Syrah, excessivamente eloquente quanto aos cuidados a ter com os níveis de maturação das uvas, muito particularmente nos casos oriundos das terras excessivamente quentes da planície. Pode ser poderoso e contundente, mas... Nem só de álcool vive o vinho!
- finalmente, um vinho que funciona como uma espécie de ex-libris para os adeptos do futebol leonino, bastante agradável de aromas mas sem ambições de maior no palato. Um conjunto simpático, esforçado mas sem pretensões a chegar a uma "liga dos campeões". E carote! Não fosse a paixão dos adeptos...
Copyright © 2003 Os 5 às 8 |
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