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Crónica de prova de vinhos do Douro - 2ª ronda
Decorreu no dia 29 de Novembro de 2003

Crónica
 

Mudámos de cenário, deixámos os campos de batalha da idade média, onde cavaleiros pesados, vestidos de armadura se degladiavam para entrarmos numa sala de um clube de cavalheiros, bem vestidos, elegantes, bem à moda vitoriana. Imaginemos, então, um conjunto de senhores em volta de uma mesa a discutir calmante sobre um assunto… Assim foi! Desta vez, juntámos à mesa seis vinhos com perfis distintos, daqueles que entraram na 1ª ronda. Supostamente seriam mais elegantes, mais discretos, menos brutos, menos ásperos!

Nesta noite, para discutir à volta do copo estiveram presentes alguns senhores muito conhecidos da nossa praça, acabados de entrar no clube dos melhores vinhos do Douro. E assim ao POEIRA 2001 e ao KOLHEITA 2001, juntaram-se outros mais ou menos badalados como o TRÊS BAGOS GRANDE ESCOLHA 2000, o REDOMA 2000, o irmão do tal Batuta que entrou na 1ª ronda e que achámos muito interessante juntar a este naipe para ver como se comportava, o VALLADO RESERVA 2000 e finalmente o CHRYSEIA 2000. Como se pode verificar tudo boa gente.

Mais uma vez estiveram presentes à volta do copo o Núcleo Duro, Barão da Cunha, João Quintela, Oliveira Azevedo e Paula Costa. Os vinhos foram decantados e quando se apresentaram na mesa o aspecto à priori era um pouco diferente da 1ª Ronda … não tão marcados pela penumbra cromática! De um modo geral, os vinhos revelaram estar em boa forma, evidenciando como seria de esperar sinais de uma grande juventude.

Os resultados obtidos, ao nível das notas finais, ficaram um pouco abaixo dos resultados da 1ª ronda. Razões para tal? Preferência dos provadores por um perfil de vinhos mais orientado para a potência? Ou qualidade global inferior? Questões muito interessantes para reflectir, pois neste painel estão presentes seis enófilos com percursos muito díspares e com gostos muito diferentes … Bom, a interligação entre todos estes factores proporcionou, no entanto, mais uma noite muito interessante de degustação e conversa, à volta do vinho.

A classificação ficou assim ordenada:



Poeira200117,62
 Várias castas  
 13 % volDouro 
Três Bagos Grande Escolha200016,65
 Várias castasLavradores de Feitoria 
 14,5 % volDouro 
Kolheita200116,46
 Várias castas  
 14,5 % volDouro 
Vallado Reserva200016,42
 Várias castasVallado  
 14 % volDouro 
Redoma200016,29
 Várias castasNiepoort 
 13,5 % volDouro 
Chryseia200016,08
 Várias castasSymington 
 13,5 % volDouro 




Pormenorizando as impressões geradas pelos néctares provados, nesta noite cavalheiresca:

Podemos afirmar que, nesta prova, ao contrário do que aconteceu na 1ª Ronda, o PRIMEIRO lugar foi consensual entre os provadores, quase descoberto pelos provadores logo à primeira …

O POEIRA 2001, comprovou os elogios de que tem sido alvo, pela imprensa especializada. Proveniente de vinhas velhas, feito em lagar e com estágio em barricas novas. Foi o vinho mais bem votado por quase todos os provadores, exceptuando um que não o apreciou! Mostrou-se pujante e cheio, complexo, mas também elegante e envolvente. Chegou-se ouvir o comentário na prova, que é um vinho do estilo: Cláudia Shiffer…perceberam? Um vinho com muita classe e muito aristocrático. Venceu com distinção…

O SEGUNDO LUGAR foi desta vez a surpresa da ronda. Era, talvez, o vinho menos conhecido, em confronto esta noite. O TRÊS BAGOS GRANDE ESCOLHA 2000, da Lavradores de Feitoria, revelou não ser um vinho apaixonante e futebolisticamente falando parece ser um daqueles jogadores que joga bem em todas as posições. Equilibrado, muito certinho, homogéneo e sem grandes discrepâncias entre a boca e o nariz. Talvez tenha sido este aspecto que o fez ficar neste lugar do pódio e por conseguinte passar à final. As próprias notas atribuídas reflectiram a seu comportamento. Não houve ninguém que o escolhesse como o seu vinho da noite! Polémico, talvez, só mesmo na sua classificação final! Aromaticamente esteve mais direccionado para as compotas, para a fruta madura, para os aromas quentes. Boca com boa acidez, taninos bem dominados. Bom final… Um vinho com grande qualidade…

SERÃO, ENTÃO, ESTES DOIS CAVALHEIROS QUE IRÃO CONTINUAR EM PROVA…ISTO É, IRÃO À FINAL COM OS OUTROS DOIS VINHOS DA 1ª RONDA, QUE VOLTAMOS A LEMBRAR: QUINTA DE MACEDOS 2000 E PINTAS 2001

Quanto aos restantes intervenientes:

Em TERCEIRO LUGAR, ficou o KOLHEITA 2001, mais uma novidade de 2003. Um vinho que gerou alguma discussão entre os provadores presentes. Chegou-se mesmo a discutir sobre qual seriam as escolhas gastronómicas que combinariam com este vinho. Caracterizado, por alguns, como algo enjoativo, doce e sobrematurado. Acabou, no entanto, por não ser verdadeiramente penalizado nos números por ninguém! O que quer dizer que apesar de não ter deslumbrado, nenhum dos enófilos presentes, também não o "castigou" verdadeiramente! Não desmereceu estar nesta prova …

Relativamente aos outros três vinhos, o VALLADO RESERVA 2000, que ficou em QUARTO, pareceu-nos ser um vinho relativamente penalizado por estar deslocado nesta ronda. É um vinho que, de facto, pertence à linha mais dura do Douro, e não tanto ao grupo dos durienses que alinham mais por um perfil elegante (que está cada vez mais difícil de encontrar!!!). Assumimos que faria, talvez, mais sentido ter sido provado na 1ª Ronda, mas não houve nada a fazer, isto é: consenso! Revelou-se um vinho, pelo menos nesta fase, algo austero, com alguma falta de harmonia, excesso de álcool e taninos duros. A persistência é longa e agradável, apesar de tudo!

Pareceu-nos, assim, que não está a atravessar o seu melhor período, mas que terá potencialidades para melhorar. Acabou por ser penalizado…

O REDOMA 2000, achámos que cumpriu, perante aquilo que era esperado. É um bom vinho, com notas vegetais e minerais a dominarem o nariz. Uma boca agradável, com boa acidez, fruta madura e estrutura enorme. Final de boca longa. É um vinho que tem comprovado, mesmo em prova cegas, uma admirável consistência de qualidade ao longo das várias colheitas. Está para durar… Convém, não esquecer que estamos a falar de um vinho que só a partir de 99 é que mudou um pouco o seu perfil rude e duro, para apostar mais em alguma elegância e equilíbrio. De qualquer forma, acreditamos que não deixa de agradar a um largo espectro de apreciadores.

Finalmente chegamos ao ÚLTIMO, o CHRYSEIA 2000, foi um vinho que não teve grandes aplausos, nesta noite vínica. Apenas um provador o elegeu como o seu vinho da noite. Houve, até, alguma dificuldade na sua caracterização, principalmente ao nível do nariz. Alguns provadores, chegaram a referir ter tido alguma dificuldade em classificá-lo. Aromaticamente pouco intenso, boca macia e elegante. Concentrado com taninos doces a marcarem forte presença. Foi o perdedor da noite…

No que respeita ao garfo, alheiras e porco preto como entradas e como prato principal, umas costeletas de borrego assadas acompanhadas com uma batatinha frita cortada à rodela. Valeu pela qualidade do borrego. Prato simples, mas que combinou muito bem com os vinhos.

Para terminar a noite foram abertos dois Portos Colheita da BARROS sem data. Pelas apostas, teriam ambos mais de 40 anos. Um Finest Old Tawny que mostrou bons argumentos, tanto ao nível dos aromas como na boca. O Finest Old Dry White não acrescentou muito à noite.

Assim terminou a 2ª Ronda. Agora vamos a caminho da final … Aos dois vencedores de cada ronda, irá juntar-se o CHARME 2000, vinho topo de gama da casa Niepoort, produzido em quantidades ínfimas e não comercializado. Quem são os sortudos?


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