Todos os vinhos provados Vinhos provados
 Todas as provas cegas Provas cegas
 Todos os Artigos Artigos
 Forum discussão Forum discussão
 Informações sobre o mundo do vinho Conhecer o vinho
 Todas as regiões de produção do vinho Regiões
 Todos os produtores Produtores
 Formulário para enviar Notas de Prova Enviar Notas
 Livros relacionados com vinho Livros
 Lojas de vinho Lojas
 Restaurantes Restaurantes
 Informação sobre o grupo de prova Quem somos
 Os nossos contactos Contactos
 Web sites interessantes ou úteis Links
        
 
Prova n.º 7 de Os 5 às 8 (Lisboa) 10 de Julho de 2002
João Portugal Ramos Syrah199917
 SyrahJoão Portugal Ramos
 13 % volAlentejo 
Syrah200016,9
 ShirazPeter Lehmann 
 13,5 % volBarossa (Austrália) 
Quinta do Monte d'Oiro Reserva Syrah199716,8
 95% Syrah, 5% CinsaultJosé Bento dos Santos 
 14 % volRegional Estremadura 
Cape Mentelle Shiraz199816,7
 ShirazCape Mentelle 
 14 % volMargaret River (Austrália) 
Incógnito199816,1
 SyrahCortes de Cima 
 13 % volAlentejo 
Tinta Miúda199613,1
 Tinta MiúdaJP Vinhos 
 12 % volRegional Estremadura 

Crónica
 

No dia 10 de Julho de 2002, a equipa de redacção de Os 5 às 8 reuniu-se em casa do João Quintela, um dos mui ilustres membros permanentes e fundadores deste painel. Compareceram os cinco membros fixos do painel, a saber, Paula Costa, Rui Falcão, Pedro Gomes, João Quintela e Tiago Teles. Tema desta prova, casta Syrah ou Shiraz tal como esta é designada na Austrália. Foi dada total liberdade em relação a colheitas, regiões ou mesmo países de proveniência, desde que os vinhos fossem da casta Syrah. O Rui Falcão decidiu levar um segundo vinho para além do Syrah que previamente tinha sido acordado. A identidade do segundo vinho não foi revelado ao painel e foi portanto provado completamente ás escuras. Esse vinho "surpresa" não só não era Syrah como era de uma categoria muito inferior aos restantes vinhos em prova. Foi posto em prova precisamente para tentar colocar um grão de areia nas provas do painel, no fundo para verificar se o painel era capaz de identificar que a casta era diferente e que a qualidade era bastante inferior. Com discretas insinuações os provadores foram induzidos a pensar que este seria um outro vinho famoso. Surpresas não houve, todos os membros do painel facilmente se aperceberam que este vinho era de outro campeonato, outra casta, outro mundo. Apesar de induzidos a pensar que este seria mais um vinho de qualidade equiparável aos restantes vinhos em prova, nenhum membro do painel fraquejou e mesmo em prova cega disse de sua justiça, fraco!

O procedimento utilizado foi o habitual: prova cega em que os participantes sabiam quais os vinhos em prova (excepto um), mas não sabiam a ordem pela qual eram servidos.

Para abrir o apetite foi primeiro servido um vinho branco com as entradas, o Fritz Haag Riesling Kabinett de 1999. Muito agradável para a maioria dos provadores, com uma boca muito fresca, embora o Tiago tenha confessado que não era muito apreciador do estilo e lhe notasse um fim de boca curto. Os restantes provadores gostaram do estilo e houve mesmo quem gostasse muito do vinho, caso do Rui Falcão.

Conclusões a retirar da prova: o vencedor final foi uma enorme surpresa, ninguém sonhava que fosse o vinho de João Portugal ramos a "ganhar" esta prova. A maioria apostava numa acesa disputa entre o Monte d'Oiro e o Cape Mentelle. Até porque já tínhamos todos provado o vinho em anteriores ocasiões e nunca tínhamos ficado muito impressionados. Enfim, decididamente a prova de vinhos não é uma ciência exacta, as circunstâncias e as garrafas variam e evoluem... A verdade é que esta garrafa se apresentou nas melhores condições e foi a que melhor evoluiu ao longo da prova. Eventualmente alguns vinhos (Monte d'Oiro) foram prejudicados por só terem sido decantados 1 hora antes de serem servidos (todos os vinhos foram decantados na mesma altura), mas ao longo da prova é um facto indiscutível que este foi o vinho que melhor se apresentou e evoluiu. Desta vez o consenso sobre o vencedor foi alcançado. O Peter Lehmann foi outra surpresa, diferente doutras ocasiões (um dos provadores tinha bebido este vinho há muito pouco tempo e não o reconheceu). Aqui já não houve consensos, inclusive um dos provadores nem gostou do vinho, achou que era enjoativo, com demasiada extracção e maturação.

Do Quinta de Monte d'Oiro esperávamos mais, pelo menos alguns dos provadores não paravam de lhe tecer louvores passados. Na prova a reacção não foi tão entusiasta e as avaliações foram um pouco divididas, variaram entre que o achasse melhor que o de 1999 e outros que preferiam o 1997. Uma coisa porém transpareceu e foi consensual, o seu preço actual é desajustado para a qualidade que apresenta. Aquisição bem mais interessante é o Monte d'Oiro 1999 com preços muito mais sensatos e realistas !

O Cape Mentelle fazia parte do lote de vinhos aguardados com expectativa e antecipava-se um vinho ganhador. A realidade porém encarregou-se de mostrar o contrário. É um bom vinho, cheio de qualidades mas inferior á fama que o celebrou. Esteve muito bem no nariz, madeira muito bem integrada (carvalho francês em vez de americano), na boca interessante, mas não transcendente. A grande desilusão da prova foi o Incógnito. Os elogios a este vinho foram numerosos, passaram fronteiras e mesmo críticos tão conceituados como Jancis Robinson teceram rasgados elogios ao vinho. A verdade é que o vinho não entusiasmou o painel e mesmo noutras ocasiões não tinha entusiasmado. Nariz exuberante, talvez demasiado exuberante mesmo, pouco harmonioso, e boca curta, meio brutal, um conjunto poderoso mas rústico. Mais uma vez preços dementes para este vinho. Finalmente o Tinta Miúda da J P Vinhos entrou neste painel como o patinho feio e confirmou que não era nenhum cisne... Nariz pouco limpo, quase desagradável, paladar com acidez desajustada, notas animais, um vinho pouco agradável de beber.


Copyright © 2002 Os 5 às 8