Estive presente no Jantar de vinhos, que tinha o tal título "vinho no feminino"…que decorreu no passado dia 30 de Janeiro e que foi organizado pela garrafeira "Coisas do Arco do Vinho". Estiveram presentes entre enólogas e produtoras as distintas senhoras: Laura Regueiro, Marta Casanova, Sandra Tavares Silva, Sophia Bergviste e Susana Esteban (penso que não me enganei dos nomes…)
Genericamente, constatei que nem todos os vinhos que estavam presentes apresentavam o tal toque feminino…aliás, alguns eram bem masculinos, para homens de barba rija! Todos apresentavam uma cor concentrada e com grau mais ou menos elevado, tudo características típicas nos Douros actuais…
Não percamos mais tempo com considerações e avancemos para as opiniões sobre cada vinho. Queria, no entanto dar uma achega…Os vinhos foram provados num local pouco propicio para fazer uma avaliação mais correcta, não nos esqueçamos que este tipo de jantares são momentos onde existe barulho, conversa, fumo e convívio! Por conseguinte, cada vinho provado terá uma classificação compreendida num determinado intervalo de valores. Por esta razão quero que olhem as minhas notas de prova com o resultado de alguns apontamentos que tirei em "cima do joelho"…
Brunheda branco Reserva 2001 - Aromas de suave melaço, com pêssego e caramelo. Bolacha de baunilha não muito intensa, alguma frescura. Uma boca correcta, fresca e agradável, nada enjoativo, um branco num estilo "low profile". - 14,5 a 15
Brunheda tinto Reserva 2001 - Nariz a mostrar o tal chocolate exagerado, fruta muito madura com carradas de compota, mais tarde evoluiu para rebuçados e frutos secos. Um perfil aromático muito enjoativo, pouco complexo e com uma receita já muito conhecida, mas que continua a fazer sucesso. Na boca, apresentou uma acidez muito pronunciada, algo deslocada criando um vazio. Taninos bastante musculados. Para quem gosta deste género, sirva-se…não me convenceu! - 14 a 14,5
Qt. da Casa Amarela Reserva 2001 - Aromaticamente revelou-se muito fresco, a mostrar toques minerais muito interessantes e que pessoalmente me agradam. Nuances de fruta fresca acabada de sair do pomar. Flor de maias…Na boca mostrou-se equilibrado, elegante, muito fresco, cheio e com uma ligeira secura no final. Um vinho muito bem feito e com um perfil algo distante dos Douros sobrematurados. Por aqui a elegância é quem mais ordena…uma novidade para mim! - 16,5 a 17
Qt. Vale Dona Maria 2001 - Este vinho mostrou boa complexidade aromática. Fresco, tostas, mineral, flores e musgo. Apesar de existir fruta madura, ela não incomodava. Boca fresca, muito elegante e equilibrada, alguma gordura o que ajudava a preencher todos os cantos da cavidade bucal. Sentem-se notas achocolatadas no final… - 15,5 a 16
Qt. do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2000 - Inicialmente no nariz, este vinho acenou-me com aromas a "animal" e algo rústico, um pouco bruto até…Notas evidentes de esteva com terra húmida. Por aqui a fruta não era rainha, pelos menos não a descortinei… A madeira dava um toque muito engraçado, originando notas fumadas, misturadas com uma pitada de lavanda. A boca mostrou-se musculada, com taninos muito vigorosos e com o álcool a notar-se…quase que arrepiava! Gostei mais do nariz que da boca - 15 a 16
Qt. de la Rosa Reserva 2001 - Mais uma novidade para mim, pois foi para dos eleitos da noite. Aromaticamente esteve entre a fruta fresca, fumados e alguns pozinhos de flores, mas o que mais me agradou foi o toque perfumado, será que é o tal "aroma feminino"??
Mostrou boa complexidade aromática… Boca muito certinha, fresca, com tudo no lugar devido…sem dúvida um vinho subtil, sem exageros! - 16 a 16,5
Pintas 2002 - Finalmente, provou-se a nova colheita deste vinho. Ainda algo incaracterístico, muito fechado e de difícil percepção. No entanto, deu a ideia que vai ser coisa séria no futuro, dando assim continuidade à colheita inaugural de 2001. A boca já estava mais apurada que o nariz…podemos dizer que este vinho acabou de sair do berço e ainda está a dar os primeiros passos, por isso aguardemos e que não haja pressa…por esta razão não lhe atribui classificação!
Qt. do Crasto Vintage 2000 - Se gostam de coisas docinhas, do tipo mon cheri, bebam este Vintage…boca algo magra, com o açúcar a sobrepor-se a tudo, pessoalmente não me apaixonei por ele! - 14,5 a 15
Qt. Vale Dona Maria Vintage 2000 - Este vinho mostrou-se mais personalizado, mais complexo e musculado. Aroma de qualidade e boca mais cheia, não enjoativa e adivinhar um agradável futuro - 15,5 a 16
Qt. da Casa Amarela 10 anos - Agradável, com os tais toques tradicionais de frutos secos: avelãs, noz e figos…algum caramelo. Na boca, confirmou o nariz. Muito equilibrado e fresco…foi um final de noite! - 15 a 15,5
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