No dia 18 de Julho de 2002 a equipa de redacção de Os 5 às 8 reuniu-se novamente, desta vez no restaurante Méson Andaluz (Cascais Shopping), ), que muito simpaticamente teve a gentileza de nos receber e de preparar uma maravilhosa refeição para acompanhar esta prova. Infelizmente devido a compromissos profissionais o João Quintela não pôde estar presente e portanto compareceram apenas quatro dos membros fixos do painel, a saber, Paula Costa, Rui Falcão, Pedro Gomes e Tiago Gomes. Tema desta prova, casta Touriga Nacional, consensualmente apelidada rainha das castas portuguesas. Foi acordado que os vinhos seriam apenas Touriga (sem loteamento) provenientes das colheitas 1996, 1997, 1998 ou 1999 de modo a não se registarem grandes diferenças de idade entre os vinhos. Regiões ou países não estavam em causa (embora tanto quanto este painel saiba não existam varietais de Touriga estrangeiros). O procedimento utilizado foi prova cega em que os participantes não sabiam quais os vinhos em prova.
Para abrir o apetite foi primeiro servido um vinho branco com as entradas, o Quinta de Carvalhais de 1995. Este foi o último Carvalhais vendido com este nome já que a partir deste ano todos os vinhos de Carvalhais passaram a ser comercializados com o nome das castas presentes. O único comentário a fazer ao vinho é, morreu! A cor não pronunciava nada de bom, amarelo muito carregado, mel escuro e os aromas, bem os aromas não vale a pena comentar para não falar de tristezas. Só o Pedro teve coragem de o por na boca e o resultado, tal como se esperava, não foi brilhante. Enfim, em relação ao branco estamos conversados e passemos adiante.
Conclusões a retirar desta prova: os Tourigas não impressionaram! Nenhum dos vinhos entusiasmou o painel e houve mesmo algumas desilusões. Mas vamos por partes e passemos ao vinho que ficou melhor classificado, o Quinta da Leda 1997. Como é habitual nos vinhos da Ferreira/Sogrape é um vinho bem feito, redondo, com um aroma interessante e uma boca contida mas musculada. Apesar de ser o vinho mais velho em prova era o que se mostrava mais jovem e ainda precisa de algum tempo para afinar. Promete melhorar no futuro, mas sinceramente não está ao mesmo nível do Quinta da Leda Touriga de 1996.
O Quinta dos Roques apenas confirmou que o ano de 1999 não foi brilhante no Dão. Não é que o vinho seja desinteressante, mas falta-lhe estrutura e percebe-se que a qualidade das uvas não lhe permitiram ter pernas para andar. Uma coisa foi consensual, este vinho mostrou o melhor nariz dos quatro vinhos em prova. Elegante, harmonioso, algo floral, foi só penalizado por algumas notas de volátil no aroma. A boca foi um pouco mais problemática, faltava-lhe estrutura e a acidez acabava por ser desproporcionada para o corpo magrinho do vinho. Vai viver vários anos mas nunca irá ser um vinho estruturado e elegante. Garantidamente não chega aos calcanhares dos seus antepassados de 1996 e de 1997.
O Calheiros Cruz foi uma surpresa pela negativa. Não sei se foi um problema de garrafa se de evolução do vinho, mas espero sinceramente que o problema tenho sido apenas desta garrafa. Nariz no inicio muito estranho, dissipou com o tempo e foi-se tornando mais agradável. A boca no entanto continuou desarmante e pouco consensual. O Pedro confessadamente não gostou nada do vinho na boca e penalizou-o bastante. Por outras palavras o vinho teve uma evolução estranha, apresentou um aroma estranho, uma boca estranha, enfim um vinho um pouco... estranho!
Finalmente o Quinta da Pellada foi outra surpresa negativa. A grande maioria dos membros deste painel aprecia bastante o trabalho que Álvaro Castro tem vindo a realizar sobretudo na Quinta da Pellada. Todos os membros do painel já tinham provado este vinho várias vezes e tanto o Pedro como o Rui em duas ocasiões teceram grandes elogios e louvores ao vinho. No entanto em prova recente o João e a Paula deram conta de um vinho diferente, com notas de suor de cavalo e mesmo algumas notas de estrebaria. Pois desta vez o Pedro quis tirar a limpo estas dúvidas e levou este vinho para prova. Infelizmente confirmou-se, o vinho está numa fase complicada (será só uma fase ?) com alguns aromas desagradáveis a suor de cavalo e notas pouco limpas de aroma. Na boca é mais interessante mas garantidamente não enche as medidas e sobretudo nada tem a ver com o vinho que todos provámos anteriormente. Porquê? Sinceramente não fazemos ideia...
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