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Domingos Alves de Sousa
 
Autor: Tiago Teles
Data:27 de Agosto de 2002
 
Visita ao Douro de Domingos Alves de Sousa

26, 27 e 28 de Abril de 2002. Há viagens que marcam a vida de uma pessoa alterando o rumo normal dos acontecimentos. Há muitos anos que pretendia fazer uma viagem ao vale do Douro que ocupava constantemente o meu subconsciente. Tentei diversas vezes imaginar como seria subir o rio de barco ou de comboio, mas sempre desistia da ideia porque, por muito esforço que fizesse, havia sempre um buraco na minha imagem.

Felizmente, a oportunidade de conhecer o Douro surgiu no final do mês de Abril. A equipa de ataque era formada por Arlindo Santos, sua mulher e duas filhas, os nossos ilustres membros João Quintela e Paula Costa, e eu próprio.
A minha emoção cresceu porque, além do passeio, era-me dada a oportunidade de contactar com as quintas de um famoso produtor de vinhos do Douro: Domingos Alves Sousa.

O motivo disfarçado da nossa viagem era comparecer na apresentação dos vinhos monocasta da colheita de 2001 produzidos por Domingos Alves Sousa. O objectivo concreto era prolongar esse conhecimento com visitas às sua quintas e centro enológico. Diria, saborear o Douro vinícola.

A apresentação dos vinhos monocasta desenrolou-se no bonito cenário do Vintage House no Pinhão e esteve a cargo do simpático enólogo Anselmo Mendes e do produtor. Houve um esforço por parte dos apresentadores para fornecer um carácter pedagógico à prova, tentando demonstrar os aspectos positivos e negativos de cada casta e as possíveis soluções para lote. Em prova estiveram: Touriga Nacional 2001 (a casta mais completa), Tinta Roriz 2001 (a casta com mais estrutura na prova de boca), Tinto Cão 2001 (a casta mais elegante e aromática), Tinta Barroca 2001 (casta com qualidades aromáticas); Duetos Touriga Tinto Cão 2001.

Seguiu-se o jantar de convívio no restaurante do Vintage House onde assistimos a um verdadeiro desfilar de estrelas: Branco Reserva Pessoal 2000 (vinho carnudo e saboroso); Touriga Nacional 2000 (aroma surpreendente com toques de flor de laranjeira que, segundo Anselmo Mendes, é o exemplo máximo da Touriga Nacional); Quinta do Vale da Raposa Grande Escolha 2000 e Reserva Pessoal Tinto 99 (dois vinhos opulentos e cheios de força); Quinta da Gaivosa 99 (elegância e excelência); terminando num vinho do Porto sem rótulo da reserva do produtor.

Referência para a imagem que mais marcou a minha passagem pelo Douro: sentado num banco de jardim no Vintage House ao lado do rio Douro, numa noite escura e quente, senti a natureza a esmagar-me os sentidos através dos aromas do ar que tanto reconhecemos mais tarde nos vinhos (agora compreendo o verdadeiro sentido da palavra "terroir"), e do silêncio apenas interrompido pelo passar do rio. Memorável.

No dia seguinte a equipa rumou em direcção à descoberta do Douro de Domingos Alves Sousa. Começo auspicioso na Quinta da Estação com as suas encostas a caírem sobre o Douro tocando a oeste a Quinta das Caldas. Vários hectares de vinha plantada e a promessa que no futuro poderá sair desta quinta um dos vinhos de eleição deste produtor. Condições existem.

No entanto, o centro enológico situa-se na Quinta da Gaivosa, paredes meia com a Quinta do Vale da Raposa. Estas quatro quintas completam o património deste produtor que nos presenteou com um almoço bastante agradável nas suas novas instalações direccionadas ao enoturismo. Em prova estiveram os tintos: Quinta da Estação 2001; Quinta das Caldas 2001 e Quinta do Vale da Raposa 2001. O que eu posso dizer é muita atenção a estes vinhos denominados de gama baixa. Qualquer um deles tem qualidades para pertencer a uma gama superior. Talvez venham a ser uma das grandes relações preço/qualidade do próximo ano.

Uma incursão pela adega para provar alguns vinhos em estágio de casco (o segredo imperou mas não me surpreendia se tivesse provado um Grande Escolha ou um Reserva Pessoal...), e um passeio de jipe pelas encostas a pique da Quinta da Gaivosa e Vale da Raposa completaram uma tarde de sonho. O jantar realizado em Vila Real também com a presença do incansável Domingos Alves Sousa revelou a última surpresa do fim de semana: Quinta da Gaivosa 2000. Provado em Abril antes de ser engarrafado, este vinho encheu-me os sentido e foi sem dúvida um hino ao Douro. Seguramente uma aposta a não perder quando surgir nas bancas das principais garrafeiras.

O retorno a Lisboa foi feito com saudade.

 

Dados sobre o Produtor
 
Contactos: Apartado 15, 5031 Santa Marta de Penaguião; Fax: 259 372 440
Património: Quinta da Gaivosa; Quinta do Vale da Raposa; Quinta da Estação; Quinta das Caldas.
Dados naturais: 101 ha vinha plantada.
Enólogo: Anselmo Mendes.
 
Vinhos
 
Brancos: Quinta da Estação; Quinta do Vale da Raposa.
Tintos: Quinta da Estação; Quinta das Caldas; Quinta do Vale da Raposa; Domingos Alves Sousa monocastas (Touriga Nacional; Tinta Roriz; Tinto Cão; Tinta Barroca); Duetos Quinta da Estação; Quinta da Gaivosa; Quinta do Vale da Raposa Grande Escolha; Reserva Pessoal.