11 de Setembro de 2002.Desde sempre a ilha da Madeira fez parte dos meus planos iniciais de férias, planos esses que por esta ou aquela razão sempre acabaram por ser frustados. Finalmente quebrou-se o enguiço, desta vez tudo se proporcionou e finalmente pude desfrutar das belezas naturais desta maravilhosa ilha. Aconselho vivamente quem me possa estar a ler a visitar a Madeira para também poder encantar-se com as suas paisagens, sobretudo com a costa norte e com o seu interior. As levadas deviam ser uma obrigação de qualquer português, tal o seu encanto e contributo para o sossego e aconchego da alma.
Obviamente que para qualquer enófilo que se preze a visita à ilha não fica completa sem a visita a alguns dos produtores de Vinho da Madeira, esse grande desconhecido dos portugueses. Eu pela minha parte me confesso, o consumo de Vinho da Madeira não faz parte dos meus hábitos, ou melhor não fazia, pouco sabendo sobre ele. Esta visita enriqueceu-me bastante já que contei com a simpática companhia e ensinamentos do Sr. Edmundo Menezes Olim da empresa Artur Barros & Sousa, bem como pude beneficiar da situação excepcional que foi ter António Torres como anfitrião numa prova organizada pela Madeira Wine Company. Nestas provas fui ainda acompanhado de dois ilustres membros de Os 5 às 8, a Paula Costa e o João Quintela. Mas sobre a Madeira Wine Company falaremos noutro relato. Este trata sobre a casa Artur Barros & Sousa grande em qualidade, pequena em tamanho. A primeira sensação que me passou pela alma ao franquear a porta deste produtor foi de espanto pela beleza das suas instalações. Não por serem particularmente bonitas ou arranjadas ou feitas para o turista, mas por serem autênticas! Mas voltemos à porta deste produtor na Rua dos Ferreiros, 109. Nem uma única placa à porta, nada que revele ao passeante o que se encontra para além do largo portão. Presumo que as instalações não tenham mudado muito desde que a firma foi criado pelos avôs dos actuais proprietários, tudo o que aqui se vê ainda é útil e é utilizado. Todo, mas todo o vinho, é envelhecido pelo método de canteiro sem recurso a estufagem, nem para o lote de vinhos mais baratos. E ouvir o Sr. Edmundo falar sobre os seus vinhos é um verdadeiro regalo para os ouvidos, a forma muito pessoal e sincera como se exprime e como conta alguns episódios do passado e do presente são algo que não se esquece facilmente. A forma como exerce o cargo de relações públicas é exemplar e vê-se que podia ensinar muito a certos profissionais encartados do sector.
A produção é minúscula, na verdade praticamente toda a produção é escoada no mercado local e para pequenos clientes que adquirem os vinhos directamente à firma. Por ano a quantidade de vinho comprada serve quase só para repor o stock correspondente ao vinho que se vendeu. Por graça o Sr. Edmundo contou que uma vez recebeu uma encomenda de um conhecido distribuidor de cerca de 500 caixas de vinho, que não pôde aceitar sob pena de ter de fechar a loja por não ter mais vinho para vender... Talvez este seja o melhor exemplo da dimensão da casa.
Simpaticamente o Sr. Edmundo deu-me a provar vários dos vinhos comercializados neste momento, bem como algumas amostras retiradas de casco. Começámos por um Sercial 1988 muito seco e agradável, depois atacámos um Verdelho Reserva Velha muito equilibrado, um Bastardo Reserva Velha, um Boal 1980, um Malvasia 1988 um verdadeiro prazer e um vinho muuuuuuuuiiiiiiito longo na boca, um Malvasia 1986 ligeiramente inferior, um Doce Extra Reserva (é um Malvasia muito antigo, cerca de 60/70 anos, mas como não existe cadastro da compra das uvas não pode ter designação oficial de casta), um Verdelho 1984 muito elegante e outros vinhos que confesso ter perdido as notas de prova.
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