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Quinta das Bágeiras Garrafeira 2000
Produtor:Mário Sérgio Alves Nuno
D.O. / Zona:Bairrada
País:Portugal
Tipo de vinho:Tinto
Castas:100% Baga
Estágio:Madeira usada
Graduação (% vol.):14
Enólogo:Rui Moura Alves
Preço:

Data publicação:Outubro 2003
Provado por:Rui Falcão
Data prova:Outubro 2003
Comentário prova:Provado em prova cega. Cor vermelho retinta, com laivos violetas nos bordos do copo. A primeira abordagem revela um vinho com uma aroma confuso, um aroma que infelizmente não está completamente limpo, revelando mesmo alguns sinais preocupantes de mofo. Consequência da madeira velha de estágio?
Os aromas de farmácia são dominantes, com óbvias sugestões de cera, verniz, óleo de cedro, tintura de iodo, mertiolato, enfim uma panóplia de aromas a apontar para o registo químico.
Surpresa das surpresas, a prova de boca é francamente mais agradável, com um ataque suave, mas firme e decidido. Acidez muito carregada, demasiado carregada para muitas bocas, permite-lhe apresentar boa frescura e carimba-lhe o passaporte para uma longa vida. Estruturalmente não é um vinho musculado, afina antes pela bitola da elegância e suavidade. Fim de boca médio, taninos dóceis mas energéticos, fruta qb, são características que tornam este vinho num bom acompanhante para a mesa.
Eis como um nariz que não promete grande coisa se pode transformar numa revelação...
Ptos*:15


Data publicação:Outubro 2003
Provado por:Tiago Teles
Data prova:Outubro 2003
Comentário prova:A imagem da garrafa mudou para um perfil moderno e bem conseguido. O nariz é de intensidade média, evidenciando as características da casta Baga, plantada na Bairrada. A madeira velha marca o nariz, surgindo por detrás aromas a chá e a citrinos. O fruto vermelho aparece um pouco nublado pela força da madeira e o tempo de abertura reserva azeitona verde. O perfil tem potencial. Na boca o álcool confere ainda um perfil picante e forte ao corpo do vinho. Os taninos estão muito bem domados para o que seria de esperar deste garrafeira em edições anteriores e tendo em conta o comportamento típico e tradicional desta casta na Bairrada. A acidez fresca pesa no conjunto estrutural que termina moderado/longo com persistência seca de sabores a madeira e a vegetal. É nos sabores que este tipo de vinhos se revelam pouco atractivos.
Ptos*:15


Data publicação:Dezembro 2003
Provado por:Pedro Gomes
Data prova:Outubro 2003
Comentário prova:Provado duplamente às cegas. Independentemente da idade, tanto a concentração como o esbatido dos tons rubi apontavam para a Bairrada. E, ao nariz... foi "tiro e queda". Um perfil esquisito, não completamente limpo, com o estágio em madeira velha a conferir-lhe odores desagradáveis: toque poeirento, sensação a trapo molhado e notas de remédio. Melhora ligeiramente com o arejamento deixando perceber um toque encerado, casca de árvore e apontamentos de chá. Melhor impressão na boca: cheio, fresco, e com um fim de boca prolongado. Pena é que a vincada acidez e a estrutura de taninos produzam secura e desequilíbrio finais. Um Bairrada tradicional com a madeira velha a "reboque" e a subjugar todo o conjunto. Um estilo que já todos conhecemos, e que faz as delícias de muitos produtores na região e de alguns críticos, mas que não encontra eco nos gostos e preferências dos consumidores. E, da mesma forma que louvo a persistência e tenacidade dos primeiros, não escondo o meu apreço pela postura enológica destes últimos. Já está na hora de começar a estabelecer uma demarcação clara entre as virtudes da madeira usada e os malefícios da madeira velha. Até porque o estilo tem os dias contados. Olhem para Colares! Um vinho muito longe de impressionar a não ser pelo preço que por ele se pede. Depois admiram-se que o meu filho me questione quanto às razões que levam os consumidores a fugir dos vinhos bairradinos. Acham que é a ingenuidade juvenil? Tenho as minhas dúvidas...!
Ptos*:14

* Base de pontuação 20