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Dominio de Tares Cepas Viejas 2001
Produtor:Viñedos y Bodegas Dominio de Tares, SA
D.O. / Zona:Bierzo
País:Espanha
Tipo de vinho:Tinto
Castas:100% Mencía (Jaen)
Estágio:9 meses em barricas de 225 litros de carvalho Allier, Nevers e Missouri
Graduação (% vol.):13
Enólogo:Amancio Fernandez
Preço:-

Data publicação:Dezembro 2003
Provado por:Rui Falcão - Os5às8
Data prova:Dezembro 2003
Comentário prova:

Duas curiosidades marcam este vinho, a origem e a casta. Porquê? A origem, porque é proveniente de Bierzo, uma das denominações de origem espanholas quase obscuras e desconhecidas, que subitamente despertaram e hoje dão que falar, fruto sobretudo do esforço glorioso de um pequeno núcleo de visionários. A casta, porque a Mencía não é uma desconhecida, cambiando de nome ao passar a fronteira, assumindo o nome de Jaen por terras lusitanas. Em Portugal a casta não é muito valorizada e em Espanha (Bierzo) também não o era até há pouco tempo... mas as coisas mudaram e hoje as cepas velhas de Mencía valem quase o seu peso em ouro! Poderemos retirar uma lição?
Este Cepas Viejas, tal como o nome indicia, é originário de vinhas velhas, de vinhas com uma idade média de 60 anos. Mostra cor vermelha relativamente aberta, encaminhando-se para o granada suave. Revela pouca profundidade, deixando já antever um bordo vermelho claro, quase transparente. Aromaticamente, as primeiras notas que sobressaem são os punjantes aromas a farmácia, a que se juntam algumas notas de lavoura, sem chegar ao exagero do curral ou estábulo. Com pouco tempo de arejamento os aromas a lavoura dissipam-se e não voltam a incomodar as narinas. Percebe-se uma complexidade mineral bastante interessante, conseguido-se adivinhar o solo pedregoso onde terá nascido. Fruta austera, contida, pouco extrovertida, mas suficiente para alegrar o conjunto.
A sensação de frescura na boca é surpreendente, até porque a prova olfactiva não projectava semelhante desenlace. Acidez muito bem integrada, mineralidade marcada, curiosamente revelou ser bastante mais frutado e limpo na boca que no nariz. Taninos bem integrados, musculados mas gentis, apresenta um final de boca razoavelmente prolongado.
É um vinho interessante e singular, com bastantes diferenças em relação aos seus congéneres portugueses.
Ptos*:15,5


Data publicação:Janeiro 2004
Provado por:Pedro Gomes - Os5às8
Data prova:Dezembro 2003
Comentário prova:Uma casa fundada em 2000 e que rapidamente mostrou querer cortar com as décadas de isolamento a que o cooperativismo regional votou esta denominação espanhola. Um produtor que procura acompanhar a revolução em curso com a casta Mencía -supostamente o equivalente à nossa Jaen-, materializando esse esforço com este Cepas Viejas e, sobretudo, com o tinto Bembibre, o seu topo de gama. Provado duplamente às cegas. Tonalidades granada de média intensidade a antecederem o abaunilhado da madeira de estágio. Média intensidade aromática, combinando delicadeza e sensualidade, com apontamentos de pó de talco, alguma erva seca, ocasionais rasgos minerais e notas de terra húmida. Com o tempo acabam por emergir as notas de canela e as sensações tostadas a envolver a componente frutada. A evolução no copo acaba por revelar nuances florais e apontamentos de chocolate de leite. Corpo presente, sem ser muito avantajado, textura muito macia, fresco e harmonioso na entrada, deixando perceber alguns apontamentos verdes e a presença de sabores silvestres. Acidez presente, bem integrada no ataque e na evolução, a destacar-se num médio final com ligeiro apontamento amargo. Médio polimento dos taninos a alicerçar um conjunto agradável, mais em harmonia que em potência. Um vinho de elaboração cuidada mas onde gostaríamos de ter encontrado uma estrutura mais robusta que compensasse a percepção ácida no final.
Ptos*:15

* Base de pontuação 20