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| Grandjó Late Harvest 2002 |
| Produtor: | Real Companhia Velha |
| D.O. / Zona: | Douro |
| País: | Portugal |
| Tipo de vinho: | Branco Doce |
| Castas: | Semillon |
| Estágio: | Estágio parcial em barricas novas |
| Graduação (% vol.): | 13 |
| Enólogo: | Equipa enologia R C Velha |
| Preço: |    |
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| Data publicação: | Fevereiro 2004 |
| Provado por: | Rui Falcão - Os5às8 |
| Data prova: | Fevereiro 2004 |
| Comentário prova: | A primeira curiosidade deste branco de podridão nobre começa logo na sua composição, a casta Semillon. Ora a Semillon é precisamente a casta utilizada nos Sauternes, um dos expoentes máximos (ou mais correctamente o mais conhecido) deste tipo de vinhos. Como é que se apresenta este "Late Harvest" do Douro? Isso é o que vamos ver de seguida.
A cor está muito bem, um amarelo ouro carregado, mostrando-se logo à vista viscoso e denso na aparência. Para um vinho tão novo, o aspecto é impressionante. Que alegria, esta cá muitas das notas características dos vinhos afectados por botrytis, os cogumelos, o bosque húmido, o chão coberto de folhas, e finalmente, a apimentar, a casca de laranja. Mas ainda se destinguem a casca de pêssego, um pouco de amêndoa, mazapan e gema de ovo. Nada mau!
A boca está gorda, viscosa, glicerinada, espessa, opulenta, uma autêntica decadência barroca. Claro que a doçura é evidente, as notas de laranja são mais visíveis e o conjunto está francamente interessante. Peca no entanto por lhe faltar alguma acidez, acidez essa que seria muito bem vinda na fase final do vinho na boca. A falta de acidez rouba-lhe alguma frescura e não corta a "gordura" deste belo colheita tardia. Ainda assim, estamos face a um dos melhores exemplares portugueses deste estilo de vinhos, um bom exemplo do que este estilo pode oferecer.
Esperemos pelas próximas colheitas, na certeza que esta foi muito feliz. |
| Ptos*: | 16,5 |
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| Data publicação: | Maio 2004 |
| Provado por: | Pedro Gomes - Os5às8 |
| Data prova: | Março 2004 |
| Comentário prova: | Uma iniciativa digna de registo, não só por se tratar de um vinho elaborado com uvas afectadas pela podridão nobre -os conhecidos Late Harvest-, mas, acima de tudo, pela ousadia em optar pela casta Semillon, numa tentativa de aproximação ao estilo Sauternes. Matiz dourada repleta de tons ambarinos e reflexos acobreados. Início com um fugaz apontamento de pêra cozida, notas fumadas, aromas de laranja, em casca e em compota, vegetal seco e um discreto, mas sempre convidativo toque terroso, por vezes a metamorfosear-se em nuances ferrosas. Muito conseguido na boca: corpo mediano, glicerinado e fresco, com os sabores de laranja, calda de pêssego e alperce, raínhas-cláudia e fruta cristalizada envoltos em delicadas notas de vegetal fresco. Prova macia e aveludada, nada enjoativa, com apreciável persistência final a deixar um traço a uva passificada. E, com o intenso salivar a confirmar a presença de uma estrutura ácida imprescindível para amparar a concentração de açucares. Gostaria de ter dado de caras -de nariz, melhor dizendo- com um perfil aromático mais complexo, mais intenso e mais profundo. Mas, verdade seja dita, gostei de ser confrontado com a harmonia deste vinho, cujo padrão qualitativo, dentro do estilo, está, inquestionavelmente, uns furos acima daquilo que Portugal conhecia e havia produzido. Parabéns à Real Companhia Velha por nos agraciar com esta real companhia... nova. |
| Ptos*: | 16 |
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* Base de pontuação 20 |
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