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| Hermitage "La Chapelle" 1998 |
| Produtor: | Paul Jaboulet Ainé S.A. |
| D.O. / Zona: | Côtes du Rhône |
| País: | França |
| Tipo de vinho: | Tinto |
| Castas: | 100% Syrah |
| Estágio: | 15 meses em barrica |
| Graduação (% vol.): | 13,5 |
| Enólogo: | Laurent Jaboulet |
| Preço: |      |
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| Data publicação: | Março 2004 |
| Provado por: | Rui Falcão - Os5às8 |
| Data prova: | Março 2004 |
| Comentário prova: | Provado em prova cega. Cor tijolo, concentração mediana e intensidade média. Notável, pela dimensão do fenómeno, é a "lágrima" que se forma nos bordos do copo de forma muito evidente. O aroma é absolutamente desconcertante, uma verdadeira caixa de surpresas que varia e cambia entre cada inalação, cada "cheiradela", cada levada do copo ao nariz. A primeira sensação a atingir o olfacto é o fortíssimo aroma a farmácia e tintura de iodo. Mais tarde surgem as compotas de tomate e ameixa, para logo de seguida irromper o queijo curado, a marmelada, o iodo e o aroma salino da praia. Outra inalação, outros aromas, desta vez tabaco, especiarias, rebuçado, pimenta, fumo cânfora, cera, verniz, uma catadupla de sensações que não param de nos surpreender! Mas não acabou, ainda aparecem os aromas ferrosos com algumas sugestões de canalização velha e rebuçado de aniz.
Acidez forte, em conjugação com leve doçura são as notas que causam o primeiro impacto na boca. Depois vem a mineralidade, forte, fortíssima, aliada a incríveis notas terrosas profundas. Ao provar este vinho fica-se com a sensação de terra molhada após uma chuvada de Verão. O carácter ferroso é por demais evidente e lá volto eu à acidez... Por acaso já tinha divagado sobre a acidez que está integrada de forma primorosa na estrutura do vinho? Taninos discretos, quase introvertidos, quase não se dá por eles, mas acreditem-me, eles estão lá e cumprem na perfeição o seu papel. Estrutura mediana, tem um belo fim de boca, prolongado e intenso, fruto da bela acidez... Por falar em acidez, já mencionei que a acidez é do melhor que tenho visto? |
| Ptos*: | 17,5 |
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| Data publicação: | Junho 2004 |
| Provado por: | Pedro Gomes - Os5às8 |
| Data prova: | Março 2004 |
| Comentário prova: | Um ano de referência para um produtor mítico e para um vinho de culto, tudo isto, claro está, em prova duplamente cega. Um dos emblemas maiores desta apelação, elaborado com uvas provenientes de vinhedos com idades que oscilam entre os 30 e 70 anos, implantados maioritariamente nos "enclaves" graníticos e quartzíticos de Bessards e Méal. Pouco concentrado com suave rubi a evoluir para tons telha no bordo. Uma cor que, de tão pouco profunda, contrasta com uma lágrima muito vigorosa, sintomática de uma grande riqueza alcoólica que o nariz não revela. Muitas notas lácteas uma vez vertido, sugerindo queijo Roquefort e, mais tarde, em barra, tipo Eru. Ligeiro reforço da doçura num estádio intermédio com apontamentos de manteiga e evidentes sugestões de pastelaria, logo sucedidos por toques terrosos de superfície, a lembrar húmus, e de profundidade, a lembrar trufa, intercalados com sugestões minerais de cariz ferruginoso e ténue impressão salina. Continua a abrir lentamente, com o reforço da componente mineral a associar-se a notas de pó de talco, delicado couro, framboesa, cereja e ocasionais apontamentos de marmelada. Muito encorpado, denso mas muito redondo, imensamente fresco, com anis, drop mentolado e vincadas notas de borracha no palato médio. Estonteante o contraponto entre a densidade de matéria e a leveza das sensações tácteis -uma espécie de Cassius Clay em indumentária de tule-. Primoroso no doseamento da acidez com a envolvência da estrutura de taninos a emoldurar os sabores terrosos. Amplo e longo final, testemunho inequívoco do peso de um lugar... da identidade de um vinho. Um La Chapelle de veneração quase religiosa, para beber... e rezar por mais. Lembrei-me da atmosfera bucólica de uma floresta caducifólia, lembrei-me do Outono, lembrei-me do manto vegetal em acelerado processo de decomposição, lembrei-me de uma incursão nas entranhas da crosta terrestre. E no fim, já rendido, lembrei-me de um Paul Jaboulet... A(ine)vitável! |
| Ptos*: | 18 |
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| Data publicação: | Julho 2004 |
| Provado por: | Tiago Teles - Os5às8 |
| Data prova: | Março 2004 |
| Comentário prova: | Considerado um dos grandes vinhos franceses, o "Hermitage La Chapelle" é elaborado apenas com a casta Syrah, proveniente de vinhas com 40 anos de idade, que deram origem a uma produção de 80.000 garrafas.
Nariz complexo, profundo, a sugerir camadas olfactivas sobrepostas. Componente a fruta compacta, revelando ameixa e marmelo doce. As sensações animais a couro e caça conferem-lhe respeito, as florais e terrosas, harmonia, enquanto as sensações amanteigadas, a lembrar pastelaria, e o muito iodo, conferem-lhe um toque exótico. Por fim, as nuances a rebuçado de anis revelam-nos a complexidade deste famoso Hermitage, capaz de manter uma constância de qualidade, digna de registo ao longo dos anos.
Na boca entra suave, abrindo num leque de aroma mineral, couro e marmelo, que flutuam, por algum tempo, no palato para terminarem de forma longa, com persistência de sabores terrosos e a folhas secas num bosque húmido. A acidez é forte, mas assertiva, enquadrando uns taninos elegantes, de excelente textura e complexidade. Atingiu uma harmonia impressionante, estando, por ventura, no seu melhor momento para consumo (não valerá a pena esperar mais). Acompanha, na perfeição, um magret de pato levemente temperado, porque não, com umas ervas de anis. A não perder para os amantes do Vale do Rhône. |
| Ptos*: | 17,5 |
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* Base de pontuação 20 |
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