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Meyer-Näkel S 1999
Produtor:Weingut Meyer-Näkel
D.O. / Zona:Ahr
País:Alemanha
Tipo de vinho:Tinto
Castas:100% Spätburgunder (Pinot Noir)
Estágio:Em barrica
Graduação (% vol.):13,5
Enólogo:Werner Naekel
Preço:

Data publicação:Outubro 2003
Provado por:Rui Falcão - Os5às8
Data prova:Outubro 2003
Comentário prova:Provado em prova cega. Mostra cor ligeira, vermelho acastanhada, muito suave, pouco concentrada, com pouca densidade, enfim, o melhor exemplo daquilo que hoje ninguém quer. Este vinho não deixa adivinhar peitos levantados, bravatas, manifestações de machismo. Não, pelo contrário, apenas apresenta sugestões de leveza, elegância e harmonia.
Primeiro embate, primeira constatação, a extraordinária mineralidade do nariz. Descobre-se o quartzo, o xisto, o granito, o calcário, o sílex, toda a gama possível de notas minerais. A fruta também ainda está presente. Mas nada de fruta madura, de fruta fresca, doce e melosa. Não, muito antes pelo contrário, aqui discute-se fruta elegante, harmoniosa, delicada, sensível, guapa. Framboesas e groselha são as notas mais evidentes. Mas os aromas não acabam por aqui. É que nesta fase entram os aromas terciários, a mina de lápis, a caixa de charutos, o iodo, tudo apoiado numa maravilhosa sensação de acidez. Um portento!
A complexidade é desconcertante, recordando sem apelo um fabuloso Romanée-Saint-Vivant provado há pouco tempo...
O ataque é suave, sedoso, delicado, feminino, mas pleno de "juventude". Confirma em absoluto a mineralidade prometida a pés juntos pelo nariz, sustentando um maravilhoso, complexo e impressionante conjunto. A acidez firme dá-lhe "raça" e estrutura, suportando o corpo delgado e delicado sem dificuldade. Dá-lhe ainda um perfeito passaporte, um salvo conduto para uma vida airosa, saudável, longa e feliz nas próximas décadas. O fim de boca é longo, muito longo, num interminável crescendo de intensidade sem fim aparente. Um caso muito sério de sedução.
Quem diz que a Alemanha não é terra de tintos?
Ptos*:18


Data publicação:Novembro 2003
Provado por:Tiago Teles - Os5às8
Data prova:Outubro 2003
Comentário prova:Bebido em prova cega. Nariz muito fresco e mineral. A ligeira terrosidade fina é acompanhada de muito fruto vermelho e a madeira sugere aromas queimados e de caça. Com o tempo de abertura a força do vinho revela-se, num perfil complexo e original. Na boca a textura é sedosa e muito atraente. Os aromas evoluem progressivamente no palato, com a acidez viva a definir os aromas de envolvência prolongada. Termina num final de boca longo, com sabores marcadamente minerais e taninos perfumados de estrutura média. A textura sedosa, sentida quando a acidez viva puxa pelo final de boca, é uma delícia. Um grande vinho.
Ptos*:18


Data publicação:Dezembro 2003
Provado por:Pedro Gomes - Os5às8
Data prova:Outubro 2003
Comentário prova:Tenho que o reconhecer: sou um indefectível do perfil aromático do Pinot Noir e, mesmo em prova duplamente cega, foi relativamente fácil reconhecer-lhe o estilo. Afinal, não se tratava da Borgonha, mas o estereótipo estava lá bem espelhado na riqueza, finura e nobreza da casta. Para um "olho" mediterrânico dir-se-ia que as tonalidades rubi a esbaterem-se junto ao menisco em tons telha e casca de cebola são o prenúncio de alguma decadência. Mas, certamente, um olhar meridional, habituado ao cromatismo do Pinot verá as coisas noutra perspectiva. Muitos rasgos minerais, algumas nuances terrosas, notas de caça, tabaco, banana e chá. Fruto vermelho muito maduro, sem enjoar, em perfeita cumplicidade com os restantes aromas. Grandioso na subtileza, incisivo na delicadeza, vincado nas nuances, e a emoção constante, num plano extra-sensorial, para quem vai descobrindo novos aromas à medida que o vinho se combina com o ar. Já era de prever este desempenho na boca: estupenda acidez, dócil no ataque, uma textura sedosa e acetinada na evolução e um final eloquente, de grande nível e impregnado de polimento. As virtudes de climas frios e a magia do Pinot em doses maciças de equilíbrio e harmonia. Um estilo a que Portugal dificilmente poderá aspirar, mas que um dia todos os portugueses deveriam conhecer. É um dos rótulos mais cobiçados pelos enófilos alemães e é sempre o "cabo dos trabalhos" para lhe chegar. Percebe-se porquê! Um vinho incontornável, provado duplamente às cegas, e que a espaços me trouxe à memória um Romaneé Saint-Vivant. Porque a Alemanha não é só Riesling...
Ptos*:18,5

* Base de pontuação 20