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Roxo Superior 1971 -amostra de casco-
Produtor:José Maria da Fonseca
D.O. / Zona:Setúbal
País:Portugal
Tipo de vinho:Moscatel
Castas:Moscatel Roxo
Estágio:Cerca de 33 anos em madeira
Graduação (% vol.):18
Enólogo:Várias gerações...

Data publicação:Abril 2004
Provado por:Pedro Gomes - Os5às8
Data prova:Março 2004
Comentário prova:Poder acompanhar a evolução deste moscatel ao longo de vários dias sucessivos é, não só, um privilégio, como, acima de tudo, uma condição sine qua non para alcançar a sua verdadeira dimensão. A sucessão e alternância de aromas, as nuances que despertam aqui e ali, nalguns casos mais vincadas, noutros mais ténues e os apontamentos que, com a mesma rapidez com que despontam assim se "eclipsam", são desconcertantes e, simultaneamente excitantes. Acabamos por ficar baralhados, mas, ao mesmo tempo, rendidos perante a grandeza e complexidade aromáticas de um vinho. Vistoso, muitos acobreados, tons casca de cebola, cambiantes ambarinas e muitos apontamentos esverdeados no menisco. Toque inicial a vinagrinho, com o essencial do seu suporte aromático a girar em torno das notas de mel, café, amêndoa torrada, vegetal fresco e casca de tangerina. Surgem depois as nuances e os pequenos rasgos de "revestimento" e a coisa complica-se: uma lista, sempre incompleta, que integra caramelo, canela, bolo inglês, fruta cristalizada, farinha Cerelac, pinhão, uva passa, ameixa seca, pêssego em calda, erva-doce e um cunho costeiro misturando sal, iodo e maresia. Um portento de untuosidade e viscosidade, com muito corpo, densidade e espessura. Muito macio, mas pleno de força e vigor, com a extrema doçura do ataque -é uma das características distintivas do Moscatel Roxo- desde logo compensada por uma acidez em crescendo. Muito aveludado na textura, com enorme concentração de sabores numa evolução fortemente marcada pelas notas de café e com os apontamentos melados e anisados muito bem amparados pela acidez. Muita adrenalina num final do tipo "agora aguentem-se", com os rasgos de mel, caramelo e salsa a abrilhantar as notas de torrefacção -café, pinhão e amêndoa torrada-. Já para não falar da presença de cravo túnico nos aromas de fundo de copo. São, tão somente, 30 anos a transbordar de força e sedução que poderiam chegar ainda mais longe não fosse um vestígio alcoólico que não desgruda. Uma porção irrisória -cerca de 600 litros- de um líquido "Roxo" que, uma vez provado, o deixará de todas as cores. Quanto mais vai viver acaba por tornar-se irrelevante porque a maior parte de nós, seguramente, já cá não estará. Uma espécie de néctar urbi et orbi. De Azeitão... para o Mundo!
Ptos*:18

* Base de pontuação 20