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Quinta de Saes Tinta Pinheira branco 1996
Produtor:Álvaro de Castro
D.O. / Zona:Dão
País:Portugal
Tipo de vinho:Tinto
Castas:100% TInta Pinheira
Estágio:Inox
Graduação (% vol.):12
Enólogo:Álvaro de Castro e Magalhães Coelho
Preço:-

Data publicação:Fevereiro 2004
Provado por:Rui Falcão - Os5às8
Data prova:Fevereiro 2004
Comentário prova:Pois, a Tinta Pinheira é uma casta tinta e este vinho é branco! Ou seja é um branco de uva tinta. De facto, neste caso a Tinta Pinheira foi vinificada em bica aberta, ou seja, não esteve em contacto com as películas, com a pele da uva (é a pele que contém os pigmentos da cor), e por isso o vinho resultante é branco.
Enfim, branco talvez não seja o melhor termo para descrever a cor deste vinho, já que apesar de mostrar uma cor amarelo palha, existem evidentes nuances rosadas, um salmão muito fino e discreto a querer denunciar as suas origens. O aroma é bastante frutado, com particular incidência na romã e maçã. A segunda vaga de evocações aromáticas a atingir o olfacto são a erva cidreira, o jasmim, as rosas, bem como um pouco de pêra cozida. Finalmente, aparecem as fragrâncias a cera a que se aliam apontamentos de armário velho.
A boca é invulgar, um pouco desconcertante de pouco habitual. A acidez ainda é vigorosa, o corpo médio/gordo e a fruta alinha sobretudo pela pêra e marmelos cozidos. Mas o mais "estranho", aqui que "baralha" ´a sensação de aparente doçura, de algum açúcar residual que é perfeitamente inesperado. É um vinho interessante e merecedor de prova atenta, um exemplo da originalidade a que este produtor nos habituou. Quem sabe se a vinificação da casta Tinta Pinheira em branco não será uma hipótese viável?
Finalmente, há que salientar que o tempo não passou para este vinho...
Ptos*:14


Data publicação:Junho 2004
Provado por:Pedro Gomes - Os5às8
Data prova:Fevereiro 2004
Comentário prova:A imagem de um branco português com 7 anos de idade remete-nos, quase invariavelmente, para vinhos cansados, oxidados, quase caquéticos e, em suma, desprovidos de qualquer interesse enológico. Neste caso, a curiosidade e a expectativa eram redobradas porque se tratava de um monovarietal Blanc de Noirs. Por outras palavras, este produtor decidiu-se pela elaboração de um vinho branco recorrendo a uma casta tinta, neste caso a Tinta Pinheira, também conhecida por Rufete. E, desde logo, isso fica bem patente na cor, com tonalidades pouco vulgares onde o fundo dourado surge impregnado de nuances salmonadas e muitos laivos laranja-cinza. Média expressão aromática com uma invulgar nota a romã, apontamentos de maçã verde, toque floral, nuances amendoadas, algum melão e ligeiro toque metálico. Infelizmente, também lá está um ocasional apontamento de maçã oxidada que, por norma, é prenúncio do declínio. Bom volume de boca, a lembrar um tinto, suave gordura, alguma frescura na entrada mas que rapidamente se esbate dada a sensação oxidada. Sugestões de frutos secos numa evolução plana, um pouco "apática", com o pendor alcoólico a tapar os frutos vermelhos e a retirar-lhe delicadeza e subtileza. Alguma decepção na envolvência pós-gustativa, acusando sabores pesados, pontas oxidadas e dando a sensação de uma força alcoólica superior à que vem expressa no rótulo. E, acaba por tornar-se desconcertante porque os aromas de fundo de copo, se por um lado sugerem uma agradável envolvência citrina, por outro, libertam um extemporâneo odor a "bolsado de bebé" a que, felizmente, não voltei a encontrar o rasto. Fica a impressão de que poderá estar a entrar na fase descendente, mas, neste particular, nunca fiando. Até porque a rolha se apresentou muito repassada. Vale como curiosidade e vale como experiência porque, acreditamos, com um trabalho mais cuidado na vinha e um apuro de processos na adega possa daqui sair algo de muito interessante. Não é muito provável que o tenha guardado, mas, se assim for, chegou a hora de lhe sacar a rolha.
Ptos*:13,5

* Base de pontuação 20